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Alt-j. Eles merecem a maior sala de espetáculo que houver

Alt-j. Eles merecem a maior sala de espetáculo que houver

Victor Barros Joana Marques Alves 07/01/2018 09:00

O Dia de Reis terminou com um grande presente oferecido por três homens: um excelente concerto logo nos primeiros dias de 2018

2018 arrancou com um dos concertos mais aguardados do ano. Pela primeira vez em nome próprio, os Alt-j inauguraram ontem uma série de grandes espetáculos agendados para os próximos 12 meses em Portugal. A Altice Arena é uma sala difícil de domar, mas o trio britânico mostrou que basta boa música para prender o público.

Depois do concerto no NOS Alive no ano passado, a banda escolheu Lisboa para iniciar a tour pela Europa e apresentar o seu mais recente disco, ‘Relaxer’, lançado em 2017. Temas como ‘3WW’ e ‘In Cold Blood’ mostraram que os ingleses continuam a apostar numa sonoridade pouco convencional, sem medo de arriscar nos ritmos e nas melodias. É um disco tão bom quanto o primeiro, no qual se percebe que a identidade dos Alt-j está mais que assegurada e vincada no que compõem.

O público português mostrou que tem acompanhado a evolução de Joe Newman, Thom Green e Gus Unger-Hamilton, mas os temas dos dois primeiros álbuns – ‘An Awesome Wave’, de 2012, e ‘This Is All Yours’, em 2014 – já se tornaram clássicos indispensáveis num concerto desta banda. ‘Tessellate’, ‘Breezeblocks’, ‘Mathilda’, ‘Tarot’ e ‘Left Hand Free’ nunca desapontam. Acima de tudo porque já sabemos que aquilo que ouvimos no disco é autêntico –ao vivo, teremos uma versão tão boa ou melhor do que a que foi gravada em estúdio. Destaque para a voz excecional de Newman e a agilidade de Green, que até nos ritmos mais complexos não dá espaço a um contratempo.

A escolha da Altice Arena parecia arriscada. Se há quem pense que os Alt-j não são banda para o palco principal de um festival, há também quem defenda que esta sala de espetáculos não era a melhor para receber uma banda que pouco aposta na interação com o público – houve espaço para uma frase dita em português, um ou outro ‘obrigado’ e uma mensagem de agradecimento na língua-mãe a todos os que os seguem. É uma banda que se foca mais na música em si do que no ‘show’ (e não é isso que se quer?). Mas a verdade é que os Alt-j souberam domar esta arena: o som não saiu enrolado, não se perdeu num pavilhão com vários lugares ainda por preencher.

Para além disso, a banda quis mostrar que se estreava a solo com uma performance singular: a Altice Arena acabou por ser o local ideal para apresentar um jogo de luzes único, que acompanhava a melodia e o ritmo de cada canção de forma meticulosa.

Desta vez vimos os Alt-j sem nuvens de pó à volta, sem os encontrões de festivaleiros. Foram eles próprios, os excelentes intérpretes que já tinham provado ser. Agora assumiram ter arcaboiço para se estrearem em nome próprio em qualquer cidade, em qualquer sala. 

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