19/11/18
 
 
Alexandra Duarte 02/01/2018
Alexandra Duarte

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PSD vai a eleições:o que há para dizer sobre isto?

Pedro Santana Lopes, dotado de uma eloquência e astúcia ímpares, correria o risco de fragilizar o PSD em vez de o enrobustecer, num período determinante para o PSD e para o país, que antecede as eleições legislativas

Diz o povo: “Ano Novo, Vida Nova!”. Vamos lá escrever sobre matérias mais abrangentes e que dizem respeito a todos nós portugueses, mulheres e homens, novos e velhos, de Norte a Sul, de Este a Oeste, do litoral ao interior, pobres e ricos, de todas as crenças, com os mais variados problemas e até para aqueles que pensamos não terem qualquer problema.

O maior partido da oposição vai a eleições diretas, no dia 13 de janeiro, para escolher o seu Presidente que sucederá ao ex-primeiro-ministro e vencedor das últimas eleições legislativas, Pedro Passos Coelho. O PSD terá, desta forma, um novo candidato a apresentar nas próximas eleições legislativas que travará o combate político com a “gerinçonça” de António Costa. Não será uma dialética eleitoral de fácil interpretação, já que antecipo, tendo em conta o ênfase das comunicações de ambos os candidatos à liderança do PSD, que testemunharemos um debate programático entre os vários candidatos nas eleições legislativas assente nos pilares ideológicos que caraterizam a matriz da nossa democracia.

Vivemos tempos em que o eleitorado já não se contenta em conhecer as propostas eleitorais dos candidatos, manifestando, em simultâneo, um interesse no posicionamento ideológico dos partidos que apresentam os seus candidatos, como um referencial para as políticas futuras de quem venha a formar governo.

As eleições diretas do PSD são o prefácio de um novo volume da nossa democracia que será escrito a partir de 2019, quando elegermos os próximos deputados à Assembleia da República e conhecermos o nosso futuro primeiro-ministro, que nada nos garante que emane do partido político mais votado nas eleições.

É com o olhar neste horizonte que os cerca de 70 mil militantes do PSD que se inscreveram para votar nas eleições diretas terão que decidir entre os candidatos Rui Rio e Pedro Santana Lopes. Qualquer um deles dispensa apresentações ou não tivessem ambos um percurso notável e um curriculum vasto de experiência partidária ao serviço do PSD e do país. Este partido, através destes dois militantes, demonstra mais uma vez que tem fibra, que não precisa de intimações para apresentar alternativas válidas e consistentes para governar os desígnios deste nosso Portugal, e que quando convocado assume as suas responsabilidades perante os portugueses.

Para uns a escolha é óbvia, seja pelos laços afetivos, pelas relações que se cruzam com estes dois homens, até por admirações acumuladas por parte de quem acompanhou os seus percursos; para outros não será assim tão claro e até haverá quem ainda não se tenha decidido ou ainda esteja relutante quanto ao seu voto.

A questão que se coloca é: o que precisa o PSD? O que faz falta a Portugal?

Olhando para trás e perspetivando o quadro político que se desenha a médio prazo, eu diria que o PSD precisa de quem reforce a voz dos seus militantes, simpatizantes e de todos aqueles que sempre tiveram uma empatia com este partido e com o que representa, mas, por uma ou outra razão, se afastaram. Faz falta, no debate político, um PSD forte e liderante que personifique um futuro mais positivo, com mais e melhor desenvolvimento e coesão económica, social e cultural; com uma intervenção estratégica nos setores mais dinâmicos, mas também com uma voz audível e de referência nas preocupações da nossa sociedade e nos seus anseios.

Entendo que, depois de ouvir os dois candidatos presencialmente, Pedro Santana Lopes, dotado de uma eloquência e astúcia ímpares, correria o risco de fragilizar o PSD em vez de o enrobustecer, num período determinante para o PSD e para o país, que antecede as eleições legislativas. É inequívoco o seu valor e tudo o que fez pelo País e pelos portugueses, ainda que mal compreendido por muitos, mas racionalmente analisando, facilmente se tornaria num assunto eleitoral que dispersaria a sua centralidade política, tornando-se ele próprio no tema do combate político. O PSD iria enfrentar os outros partidos políticos com um discurso defensivo e justificativo em vez de se posicionar numa posição de ataque crítico a este governo e aos outros partidos que o sustentam.

Ainda assim, os militantes do PSD deverão agradecer a disponibilidade deste homem, que se apresentou sem reservas (desta vez…) e contribuiu para um debate programático no seio desta família política, elevando a prestação do seu adversário e provável vencedor das eleições diretas, com um discurso construtivo e digno.

O PSD está a dar uma lição de democracia e honorabilidade nos seus debates, muito por este momento ser protagonizado por dois grandes homens, mesmo com alguns “fait-divers” pelo meio.

Gostaria de ver Rui Rio a ganhar confortavelmente o PSD, pelos seus feitos, por tudo aquilo que foi fazendo e que é desconhecido da grande maioria, pela sua discrição no exercício de cargos públicos, mas há uma caraterística que destaca este homem, até no olhar: acredita profundamente que pode fazer a diferença, e, a avaliar pela sua determinação, é difícil não lhe reconhecermos este valor, num tempo em que todos somos parte de um sistema instalado e no qual entramos e saímos sem conseguirmos alterar o que quer que seja. Poderia aqui elencar várias qualidades de Rui Rio que me sensibilizam e determinam esta minha convicção, mas a que acabei de referir é, para mim, a mais invulgar e, por isso, extraordinária.

Votos de um extraordinário ano para todos nós!

 

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