25/9/18
 
 
Séries. As novidades que vimos este ano

Séries. As novidades que vimos este ano

Sabe o que significa Binge Watching? Aprendemos recentemente, já que, pelos vistos, também nos enquadramos na definição. A expressão refere-se à pratica de ver televisão – ou séries – como se de uma maratona se tratasse. Ainda que, para tal, se descurem outras funções básicas da vida, como dormir.
 

Aqui deixamos um curto périplo por algumas séries estreadas este ano que nos colaram ao ecrã e que, finda a corrida, nos fizeram dizer que valeu a pena um encontro mais curto com a almofada. Também vimos outros títulos – como Mindhunter (muito bom) e os regressos que abaixo assinalamos. Como em tudo na vida, há que fazer escolhas 

The Deuce  
TVSéries

A assinatura de David Simon nos créditos de qualquer produção provoca desde logo um efeito pavloviano nos telespetadores, como no século XIX alguns se sentavam e abriam um tomo do “Guerra e Paz”, preparando-se para terem na sala de estar um bando de figuras que, saídas da cabeça de um homem, pareciam ter mais vida que aquelas que resultam da vontade divina. Depois do êxito de “The Wire”, Simon regressa agora com George Pelecanos e um bando de talentosos romancistas que pegaram em relatos verídico para nos contarem como, nos anos 70 e 80, a profissão mais velha do mundo e o capitalismo tiveram uma filha que mudou para sempre a nossa forma de encarar o sexo: a indústria pornográfica. D.V.P.

Twin Peaks
TVSéries

Dos regressos a histórias que estreiam como se fossem novas, 2017 foi ano de voltar a olhar para “Twin Peaks” e de recapitular a história de Laura Palmer, que os anos 90 não foram ontem. Tudo isto em histeria, mas mais do que justificada. Assim acolheu Cannes a estreia absoluta dos primeiros episódios dos 18 de que se faz temporada, primeiros classificados na pontuação da crítica internacional, à frente de todos os filmes, que até para televisão o que David Lynch (aqui com Mark Frost) faz é cinema. E a terminar sem spoilers para quem ainda não viu, uma nota para Harry Dean Stanton, que aqui se despediu da televisão. C.S.

I’m Dying Up Here  
Showtime

Ofender os deuses a troco de umas quantas gargalhadas e pagar o preço mais alto, como Sísifo, condenado a empurrar a pedra até ao cimo da montanha só para vê-la rolar de volta. Aí está a inescapável e fatal ironia que governa os destinos de um grupo bastante heteróclito de personagens que dão por si numa acidental universidade de comédia. Tratando-se de uma série dramática que se desenrola na cena da comédia em Los Angeles na década de 1970, nem mesmo a sobrecarga da estética retro afasta a sensação de que vem do futuro esta visão de um grupo de comediantes a dar no duro, sem ganhar um tostão furado, tendo de provar que são capazes de levar às lágrimas a audiência. D.V.P.

Dark  
Netflix

“Dark” é como daqueles restaurantes em que a comida é ótima mas os empregados terrivelmente lentos aos quais a que, e ainda assim, voltamos sempre. Isto para dizer que se perdoam  algumas incongruências em prole do resultado final de “Dark”, a primeira série original alemã distribuída por um serviço de streaming. A fórmula? Um twist sobrenatural suavizado – e, nalguns casos, exacerbado – por uma viagem ao passado, com todas as filmagens de época que isso implica. Se no início a amálgama de caras se enrola, o ritmo apanha-se de um momento para o outro e trama fez-nos devorar “Dark” sem contemplações. M.M.

Ozark 
Netflix

Além de toda a perturbação económica, da forma como envenenou as expectativas de boa parte da classe média, fez da pobreza uma aventura ainda mais impiedosa, atirando tantos para um modo de sobrevivência fantasmal, a crise financeira teve um inimaginável custo moral. A cortina caiu e a esperança, afinal, foi das primeiras coisas a morrer. E os ideais que serviam de boia não aguentaram. “Ozark” marca esse ponto de inflexão, o momento em que uma decisão arriscada de um chefe de família faz dele um peão num jogo muito perigoso, vendo-se obrigado a arrastar a família para longe de tudo o que tinham como raízes e a despedirem-se de tudo aquilo a que achavam que tinham direito. D.V.P.

The Handmaid’s Tail  
Nos Play

Por uma vez, a provocação não se fica por arranhadelas e beliscões, o desconforto instala-se com algum nervosismo e uma bateria de calafrios. Reside algures nestas linhas a diferença que isola esta série e a torna especialmente relevante. É certo que, em abril, quando a série estreou, e num momento em que a nova presidência dos EUA tinha já baixado a temperatura na sala e criado a tensão, elevando a ansiedade da audiência norte-americana, estavam reunidas as condições para que esta ficção “especulativa” - como a definiu a autora - a levasse aos arames. Ainda assim, havia algo de mais insidioso nesta alegoria, um aviso que ia mais longe do que a denúncia das tão sensíveis circunstâncias do presente. D.V. P.

13 Reasons Why 
Netflix

Deu muita celeuma este título da Netflix que, em última instância, tinha como mote alertar para a questão do suicídio na adolescência. Os especialistas alertaram para o contrário e houve mesmo uma adolescente norte-americana que se suicidou depois de ver a série – nada que impedisse a produtora executiva, Selena Gomez, e a Netflix de confirmarem uma segunda temporada. Falando de questões formais, dizemos só que a banda sonora é viciante e que a Hannah interpretada por Katherine Langford tem tanto de irritante como de magnético. No final, fica a sensação de uma boa história de 13 episódios, mas que poderia ter sido encurtada para dez. M.M.

Dear White People
Netflix

Anunciada está já para o próximo ano a segunda temporada da série com que Justin Simien deu seguimento ao filme homónimo de 2014 – e ainda bem. Satírica na dose certa, que drama já há que baste nessa praga do racismo encapotado, “Dear White People” acompanha o dia-a-dia de um grupo de estudantes negros numa prestigiada universidade americana. Se um dos pontos altos do filme era a mudança de perspetiva, de personagem em personagem, nisso foi Simien ainda mais longe no seguimento televisivo que lhe deu (com direito a um quinto episódio assinado por Barry Jenkins, realizador de “Moonlight”) ao dedicar um capítulo a cada uma delas. C.S.
 

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