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Curtos são os filmes. Cinema para um bom solstício de inverno

Curtos são os filmes. Cinema para um bom solstício de inverno

Cláudia Sobral 20/12/2017 19:10

Se não deu por isso ainda, lembramos nós que é hoje o dia mais curto do ano. E será curto, mesmo curto, mas ainda assim com minutos que cheguem para O_Dia Mais Curto – um ciclo de cinema para, por 34 localidades, celebrar a curta-metragem.

Ao fenómeno ocorrido no dia em que o Sol atinge a maior distância angular possível em relação à linha do equador veio a Astronomia chamar solstício. De inverno, claro, justaposição mais do que necessária, que entre dia ou noite mais longa do ano vai todo um mundo – ou um hemisfério, precisamente. E se esta é a metade norte, se é Natal (quase. quase, é verdade), se este texto se escreve já de noite, longa há de ser esta de hoje, para o dia mais curto do ano. Diferença entre dizê-lo assim ou em capitulares faz-se pelo cinema, que é hoje que acontece – 21 de dezembro, data em que ocorre em 2017 o solstício de inverno no hemisfério norte – a quinta edição do Dia Mais Curto. Um ciclo de cinema a celebrar o que ele tem de mais curto – a curta-metragem – nascido em França rapidamente exportado para vários países, também para Portugal pela Agência da Curta Metragem, responsável pelo Curtas Vila do Conde.

Hemisfério norte, dizíamos, traz Natal colado ao inverno que o frio se encarregou de anunciar já tão bem neste dezembro. Como as luzes de Natal. E as árvores. Pinheiros. Como “Kapitalistis”, produção franco-belga realizada por Pablo Muños Gomez. Quinze minutos de filme que dão que pensar para um inverno inteiro. “O Pai Natal é um capitalista”, diz a criança de 5 anos citada na sinopse. “Traz brinquedos para os filhos dos ricos e roupa para os filhos dos pobres.”  Neste caso, ainda há de fazer entregas de pizzas. Talvez a depilação para servir de tabuleiro humano para um aperitivo em forma de estrela entre ramos verdinhos.  

Mas celebrações há muitas, melhor será isto não se ficar pela Europa. Na sessão “Curtas do Mundo”, este Dia Mais Curto dará ao público de 34 localidades  – de Albufeira a Trancoso, Sardoal, Ponta do Sol, Ponta Delgada, Funchal, enfim, imagine a descentralização levada a sério – a oportunidade de receber “Saudações de Alepo”, documentário de 16 minutos em que Thomas Vroege, Issa Touma e Floor Van Der Meulen prometem um retrato da guerra da Síria “verdadeiro” e “muito distinto” daquele a que nos habituámos. Do Irão, “Retouch”, de Kaveh Mazaheri, filme vencedor do Prémio do Público na edição deste ano do Curtas Vila do Conde e que conta a história de como uma mulher iraniana lida com um “acidente doméstico do seu marido”. E, num mundo com espaço para todos, ainda na mesma sessão “A Comunidade”, filme de 2012 de Salomé Lamas, a propor um olhar sobre o mais antigo parque de campismo de Portugal.

E mesmo em dia curto, tempo haverá ainda para outras três sessões. “Curtinhas para Todos” e “Amiguinhos”, para os mais novos ou as famílias, e ainda, a prometer tudo, a “Novas Curtas Portuguesas”, a recuperar seis das curtas metragens portuguesas produzidas nos últimos dois anos.

Como “Cidade Pequena”, de Diogo Costa Amarante_(Urso de Ouro das curtas no último Festival de Cinema de Berlim), “Thursday Night”, de Gonçalo de Almeida, selecionado para Sundance, que arranca a 18 de janeiro, ou o imperdível “O_Homem Eterno”, que Luís Costa realizou a partir de imagens de arquivo em Super 8 do seu avô, emigrado para o Canadá em 1963, e que teve a sua estreia na última edição do Curtas Vila do Conde – uma das localidades para as quais estão programadas várias sessões, da piscina interior do Santana Hotel & SPA ao anfiteatro da Escola Superior de Media Artes e Design. Boa ideia será mesmo espreitar a agenda, até porque O_Dia Mais Curto é hoje, mas há sessões a estenderem-se para outros dias.

 

 

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