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Vinho. O sabor tão português que este ano ganha estrela de ouro

Vinho. O sabor tão português que este ano ganha estrela de ouro

Sofia Martins Santos 17/12/2017 14:15

Houve mais produção e mais qualidade no que foi produzido. Esta história tinha tudo para ser diferente por causa da seca e do calor, mas o setor acabou por ser surpreendido 

Para o vinho português, 2017 será um “ano de qualidade”. Tanto o calor como a seca fizeram antecipar, como nunca, as vindimas. Mas isso não impediu que 2017 se tornasse num ano de ouro para o setor. Quem o garante é Frederico Falcão, presidente da Vinha e do Vinho. 

De acordo com Frederico Falcão, “a produção é das melhores dos últimos anos”. Além de um aumento na qualidade, haverá também um aumento na quantidade. Apesar de a seca ter atrapalhado e baralhado as contas, há especialistas que acreditam que as contas finais vão refletir a singularidade de cada região. 

“Na região centro, na Bairrada e no Dão, a estimativa é de um crescimento entre 17 a 20% e achamos que se vai concretizar. No Alentejo, devido à seca, a produção deverá ficar abaixo das previsões”.

2017 fica, ainda, marcado pela antecipação das vindimas. O presidente do Instituto da Vinha e do Vinho não se lembra de um ano assim. O calendário antecipado esteve relacionado com o facto de a primavera ter sido “muito quente, sobretudo o mês de maio. Depois veio o calor e a seca. O ciclo das plantas adiantou com estas condições”. 

Houve regiões onde as vindimas começaram em agosto, logo nos primeiros dias, alastrando depois de uma forma gradual ao resto do país. 

Barca Velha e Pêra-Manca, os vinhos abençoados A colheita de 2013 do famoso vinho Pêra-Manca chegou agora à mesa dos portugueses. Está à venda por 200 euros e trata-se da edição mais pequena de sempre deste vinho alentejano. O vinho nasceu em 1990 e nunca tinha tido apenas 19 mil garrafas disponíveis no mercado. E, para quem acha que o preço é alto, o melhor é não procurar na Garrafeira Nacional a colheita de 2011 por 350 euros. As castas Trincadeira e Aragonês, que são o verdadeiro coração deste vinho, são originárias de talhões de vinhas com 35 anos. 
Outro dos vinhos especiais produzidos em Portugal é o Barca Velha, que também não tem edição todos os anos. Embora não se saiba se haverá edição este ano, a verdade é que, no ano passado, quando a colheita de 2008 chegou ao mercado fez sucesso. Esta edição chegou mesmo a receber a pontuação máxima pela Wine Enthusiast, o que significa que foi o primeiro vinho português não fortificado a atingir os 100 pontos na revista norte-americana. 
O enólogo responsável pelos vinhos da Casa Ferreirinha há mais de 10 anos, Luís Sottomayor, referiu, nessa altura, que “esta distinção nunca antes alcançada representa, acima de tudo, o reconhecimento do esforço constante que a Casa Ferreirinha tem feito desde 1952 para assegurar a sustentada melhoria dos vinhos DOC do Douro, cotando-se hoje como a marca de referência da região junto da mais exigente crítica internacional e de um crescente número de consumidores”. 

Portugal nas bocas do mundo As exportações portuguesas de vinho estão a crescer 8,1% em valor e 3,9% em volume. De acordo com os dados referentes ao primeiro trimestre, Portugal conseguiu vender 625 983 hectolitros no valor de 163,3 milhões de euros. No top dos países que mais compram a Portugal está França, embora tenha caído 2,4%. Já a retoma do mercado angolano foi a grande surpresa porque mais do que duplicou em comparação com o ano passado, num valor de quase 9,5 milhões. 

Para o presidente  do Instituto da Vinha e do Vinho, “estes dados são um bom sinal para os vinhos portugueses, que estão com um enorme dinamismo e grande reconhecimento internacional. E os números das exportações espelham bem esse sentimento positivo dos especialistas na área e dos próprios operadores. No último ano, isso não se refletiu tanto por causa do mercado angolano, mas tudo indica que as coisas vão continuar a correr bem”. 

Também os mercados extracomunitários estão a crescer tanto em valor como em volume. A liderar as compras deste produto português estão os EUA. No decorrer do ano passado, foram o terceiro maior destino das exportações de vinho, mas este ano chegaram ao segundo lugar. 

Também o Brasil tem estado em visível recuperação. Houve um aumento de 84,5% nas compras de vinhos portugueses. O motivo? De acordo com Frederico Falcão, “apesar de os vinhos portugueses chegarem às prateleiras com margens muito altas, há muitos novos importadores de vinho no Brasil e que são muito ativos. E sente-se que os produtores olham para este mercado com otimismo”. 

Em sentido inverso ao que está a acontecer a nível mundial, Portugal assistiu a um aumento da produção este ano. Uma recuperação muito importante tendo em conta que no ano passado se tinha perdido metade do seu valor.
No final de agosto, previa-se que a região do Douro, onde estão incluídas as 3100 pipas adicionais de vinho do Porto definidas no “benefício”, continuará a manter a posição de região mais produtiva a nível nacional.

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