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Panteão. Socialistas afastam demissões e não querem mais festas

Panteão. Socialistas afastam demissões e não querem mais festas

Sara Matos Luís Claro 14/11/2017 14:21

“As coisas não se resolvem com demissões”, diz Edite Estrela, presidente da comissão parlamentar de Cultura. PSD quer saber se Costa foi convidado para o jantar no Panteão Nacional

 

O jantar mais falado do país tornou-se num dos principais assuntos da disputa política com António Costa no centro da polémica. O PSD não vai largar este caso e enviou oito perguntas ao primeiro-ministro para conhecer mais detalhes sobre a festa da Web Summit. Os socialistas responsabilizam o governo de Passos Coelho e prometem que esta foi a última vez que o Panteão abriu as portas para um evento festivo. 

“As coisas resolvem-se alterando aquilo que está mal e é isso que o governo vai fazer. É lamentável ter existido a possibilidade de realizar esses eventos no Panteão. A primeira responsabilidade é do ex-secretário de Estado da Cultura”, diz ao i Edite Estrela, presidente da comissão parlamentar de Cultura e deputada do PS. Edite Estrela rejeita ceder ao pedido do PSD para que a diretora-geral do Património Cultural seja afastada. “As coisas não se resolvem com demissões”, afirma a socialista. 

A ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas também recusa atribuir responsabilidades ao atual governo. “É uma falsa questão dizer que a direção-geral pode vetar os eventos que não tenham dignidade. Há almoços, jantares e cocktails que tenham dignidade no Panteão Nacional? Não. Nenhum almoço ou jantar se enquadra no Panteão. O que está mal é o despacho”.

A diretora-geral do Património Cultural ainda não se pronunciou sobre a polémica. A saída de Paula Silva do cargo não está, para já, nos planos do governo, apurou o i. A diretora do Panteão Nacional, Isabel Melo, também recusou demitir-se com o argumento de que se limitou a cumprir “um regulamento feito por quem de direito”. O jantar da Web Summit, que fez rebentar a polémica, não foi o primeiro a ser realizado no Panteão. Já se realizaram, pelo menos, dez eventos festivos naquele espaço, de acordo com o jornal Público. 

PSD pressiona Costa 

O PSD enviou ontem oito perguntas dirigidas ao primeiro-ministro. Os sociais-democratas querem saber se António Costa “teve conhecimento direto ou indireto daquele evento” e se “é verdade ou não que o programa da Web Summit, que dava conta do jantar no Panteão Nacional, foi enviado a membros do governo”. O PSD pede ainda a António Costa para esclarecer se foi convidado “a estar presente naquele evento”. 

O PSD insiste no pedido de demissão dos responsáveis pela realização do jantar. O vice-presidente da bancada parlamentar Sérgio Azevedo, num artigo de opinião no i, defende que “ninguém acredita que tudo isto fosse um mistério nos corredores do Ministério da Cultura”. O deputado do PSD desafia o governo a tomar “as diligências necessárias para que quem representou o Estado no ato e na conivência não o represente mais”.

Cretinice

A reação de Costa tem sido alvo de muitas críticas do PSD.  O deputado social-democrata Duarte Marques classificou o comentário do primeiro-ministro ao jantar da Web Summit como uma cretinice. “Confesso que não sei o que é mais indigno, se o jantar no Panteão se a reacção e o comentário de António Costa. É mesmo uma cretinice e pelos vistos uma hipocrisia”, escreveu, nas redes sociais, o ex-líder da JSD. 

 António Costa afirmou, em comunicado, que “a utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”. Em comunicado, o primeiro-ministro apontou o dedo ao governo de Passos Coelho por ter permitido a realização de almoços e jantares no Panteão Nacional e anunciou que “o governo procederá à alteração do referido despacho para que situações semelhantes não voltem a repetir-se”. 

O Ministério da Cultura deverá apresentar em breve novidades sobre as alterações ao despacho que abriu a porta à realização de almoços e jantares no Panteão. Luís Filipe Castro Mendes anunciou, em comunicado, no sábado, que o governo vai “determinar a imediata revisão do referido despacho. Essa revisão determinará a proibição de realização de eventos de natureza festiva no Corpo Central do Panteão Nacional”.

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