22/11/17
 
 
João Lemos Esteves 14/11/2017
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

Ivanka Trump: a beleza do sonho americano

Uma das conclusões mais prementes da viagem de Estado de Donald Trump ao continente asiático que importa hoje salientar foi a confirmação de Ivanka Trump como uma forte candidata presidencial no futuro

1. O presidente Donald Trump realizou a sua (tão aguardada) viagem ao continente asiático. Desta forma, completa o seu périplo pelos principais aliados dos EUA à escala global: esta viagem surge na sequência das viagens ao Médio Oriente e à Europa, para além da sua primeira alocução à Assembleia-Geral das Nações Unidas (ato repleto de simbolismo na definição das linhas mestras da política externa da nova administração). Notou-se que a popularidade de Donald Trump é elevada no Japão – e mitigada na China. 

2. O Japão aprecia sobremaneira a determinação e a posição de força (pese embora com a flexibilidade útil e necessária) do novo presidente norte-americano face à Coreia do Norte. Na China encara-se Trump com respeito e expetativa, sabendo-se de antemão que uma das premissas essenciais da política diplomática dos EUA (independentemente da pessoa que transitoriamente desempenhe o cargo) passará pela contenção do poderio e da expansão da influência chinesa. Uma conclusão é certa: ao contrário do que alegavam os habituais e tão costumeiros “visionários”, o presidente Trump é aplaudido pelas populações locais, há multidões que o exaltam (e não insultam ou ameaçam de morte, como desejariam certas elites e alguma comunicação social com tiques antidemocráticos) e, sem deixar de ser o “The Donald”, consegue assumir a tão proclamada “postura presidencial”. 

3. Uma das conclusões mais prementes da viagem de Estado de Donald Trump ao continente asiático que importa hoje salientar foi a confirmação de Ivanka Trump como uma forte candidata presidencial no futuro. Ivanka tem qualidades que mais ninguém no Partido Republicano logra reunir em caso de sucessão do seu pai: é carismática, tem uma fortíssima imagem televisiva e assume a defesa de alguns pontos muito caros às bases republicanas (como a diminuição dos impostos e a centralidade das empresas e da iniciativa privada para a criação de riqueza e de postos de trabalho) – abraçando igualmente causas mais conotadas com o Partido Democrata (como sejam a promoção dos direitos das mulheres e a previsão legislativa das licenças parentais). 

4. Por outro lado, Ivanka dispõe de uma pouco usual habilidade política – e instinto político – para quem não nasceu no meio. Tal ficou demonstrado na forma como contribuiu decisivamente para a definição da estratégia do pai logo no rescaldo da polémica da divulgação do vídeo do “Access Hollywood”, bem como na sua influência determinante na escolha do candidato a vice-presidente, o governador do estado do Indiana, Mike Pence. Conforme explicaremos em maior detalhe em obra a publicar em breve, este running mate de Donald acabaria por se revelar uma escolha certeira: permitiu fixar e mobilizar a base mais conservadora do GOP, os seus eleitores tradicionais, essenciais para a vitória final contra Hillary Clinton.

5. Por outro lado, Mike Pence, com o seu estilo fleumático, sereno, prudente, quase de uma timidez provocada, atenuou o lado mais desabrido, mais enérgico, mais politicamente incorreto de Donald Trump. Isto é: a aliança Donald Trump/ Mike Pence era, ela própria, uma coligação de personalidades distintas que visavam eleitorados distintos. Ou seja: também neste ponto, a vitória de Donald Trump deve-se também à surpreendente habilidade política de Ivanka. 

6. Finalmente, Ivanka dispõe de um trunfo de fulcral preponderância nos dias que correm: quer a comunicação social tradicional (jornais, televisão, mesmo as estações muito hostis ao pai) quer as novas formas de comunicação de massas (blogosfera, redes sociais…) idolatram a filha mais velha do presidente Trump. A sua presença é avassaladora e concita apoios convencionalmente tidos por bizarros (desde Rosie O’Donnel até Mitt Romney). 

7. Ivanka Trump é, pois, tida como um exemplo idílico de mulher moderna, empreendedora, de sucesso, dedicada a causas sociais e públicas – sem, contudo, menosprezar a família e a religião. Em suma: a personificação perfeita da mulher americana ideal. Ou melhor, é a personificação do cidadão americano ideal. Ivanka, nos dias que correm, une a esquerda (mais sectária) à direita (mais sectária). Quem diria que Ivanka ainda poderá vir a revitalizar o centro político nos Estados Unidos da América, prosseguindo o legado do pai e, ao mesmo tempo, trazendo novas causas para o centro da ação política? 

Escreve à terça-feira

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

Não tem utilizador? Clique aqui para registar

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×