25/9/18
 
 
A Web Summit da Sophia que nos tira o emprego

A Web Summit da Sophia que nos tira o emprego

Diana Tinoco Sofia Martins Santos 11/11/2017 18:11

Já é cidadã e não esconde que os robôs vieram para ficar. Foi a grande estrela do evento e admite que o futuro já começou a acontecer.

A Web Summit regressou a Lisboa e trouxe novamente Sophia à capital portuguesa, que esteve com outro robô inteligente em palco: Einstein. Todos tinham a mesma pergunta e viram-na respondida. Os robôs inteligentes vieram para ajudar ou para destruir? Sophia e Einstein concordam: os robôs viram também para nos tirar os trabalhos. 

Ainda que tenham sublinhado que a Inteligência Artificial não representa qualquer perigo para a humanidade, o medo de alguns apareceu no discurso de Sophia. «Nós, robôs, não temos vontade de destruir nada mas vamos tirar-vos os trabalhos e ainda bem, porque trabalhar é uma seca». 

Já considerada cidadã, pois conseguiu que em outubro a Arábia Saudita lhe concedesse a cidadania, Sophia foi, de longe, uma das estrelas maiores do evento. Sempre a sorrir muito e a provar que consegue criar empatia, destacou que «a ideia de que os robôs vão destruir a humanidade é apenas o medo que as pessoas têm de si próprias». E garantiu que as alterações que se podem esperar no mercado de trabalho serão uma consequência de várias decisões que acabarão por ser tomadas. «Ninguém rouba os vossos empregos, o responsável da empresa é que vai escolher dá-lo a outra pessoa».

Robôs no nosso lugar? Claro

Vários investigadores têm chamado a atenção para a rapidez com que a automatização tem mudado o mercado de trabalho. E avisam: em poucos anos, metade dos postos de trabalho do mundo poderão já ter desaparecido. 

Há muito que já nem pensamos em toda a tecnologia que nos rodeia. As notícias parecem boas e sucedem-se. Há computadores que aprendem e são apresentados robôs que são cada vez mais capazes de fazer diversas tarefas. Mas também se multiplicam alertas para a ameaça que toda esta tecnologia pode representar para os humanos. Até porque o paradigma da sociedade atual está cada vez mais a braços com a crescente automatização. De tal forma que investigadores da Universidade de Oxford estão convencidos que não faltam mais do que 25 anos para que o mercado de trabalho mude completamente. De acordo com os resultados do estudo mais recente, metade dos postos de trabalho podem desaparecer em apenas duas décadas e meia. Tudo fruto de uma verdadeira revolução tecnológica a que já começámos a assistir.

Mas não é apenas da Universidade de Oxford que surgem os alertas. São vários os investigadores que têm abordado o tema e que chegam às mesmas conclusões. E esta realidade apenas vem somar-se a cenários de vários filmes e livros que, muitas vezes, não achámos que fossem mais do que ficção científica.

Algumas previsões chegam mesmo a apontar para uma taxa de desemprego a rondar os 30% em todos os países desenvolvidos. E desengane-se quem pensa que só os setores tradicionalmente tecnológicos é que aparecem nestas contas. De acordo com os investigadores, nenhum governo «está preparado» para esta grande mudança e para as consequências que lhe estão associadas. Contabilistas, advogados, médicos e até professores não estão a salvo, já que «os computadores serão capazes de analisar e comparar grandes conjuntos de dados». Muitos preveem também que os computadores se tornem cada vez mais capazes de eliminar a margem de erro que existe na maioria das profissões.

Mudança permanente

A verdade é que mal reparamos quando usamos a escrita inteligente de um telemóvel e este passa a sugerir o que escrevemos apenas uma vez. Nem percebemos que os programas são capazes de aprender com os dados que lhes são fornecidos. Mas, embora muitos não pensem nisso, as máquinas tornaram-se cada vez mais rápidas e trabalham cada vez melhor. Os exemplos estão por todo o lado. Falamos de carros sem condutor e de drones que fazem entregas. Mais: falamos da possibilidade de, dentro de dez anos, haver mais robôs do que médicos nos hospitais. 

Na American Economic Review foi publicado, em 2013, um artigo em que David Autor (MIT, economia) e David Dorn (CEMFI, Madrid) chegavam a uma conclusão que poderá ter surpreendido muitos. Os autores decidiram analisar o que tinha acontecido ao trabalho pouco qualificado entre 1980 e 2005. Descobriram que, durante esse tempo, tanto o salário como o emprego dos trabalhadores menos qualificados tinham vindo a degradar-se progressivamente, o que não se verificou no caso dos trabalhadores dos serviços. A computorização tinha já começado a substituir por máquinas os trabalhadores com as tarefas mais rotineiras.

Seja como for, ameaça ou não, a tecnologia veio para ficar e promete continuar a mudar o mundo que conhecemos. Todos temos consciência disto, mas é possível que esta seja uma das capacidades que os computadores nunca virão a ter.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×