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As gerações dos telemóveis

As gerações dos telemóveis

Luis M. Correia 31/10/2017 09:30

O acesso à internet (com todos os serviços que conhecemos) a partir dos telemóveis (agora designados por smartphones) e a utilização das apps são algo que se faz com uma absoluta normalidade

Muito provavelmente, já ouviu falar das gerações dos telemóveis, mais propriamente dos sistemas de comunicações móveis que são usados pelos telemóveis. Muito provavelmente também, não tem uma ideia precisa das que existem e da diferença entre elas. De facto, a indústria de telecomunicações tem designado saltos tecnológicos nos sistemas de comunicações móveis por gerações, que têm surgido com regularidade no início de cada década.

No início da década de 1980 começaram a aparecer vários sistemas em vários países, a 1.a geração (1G), tendo-se chegado a cerca de uma dezena de sistemas diferentes. Nestes sistemas, de tecnologia analógica, o único serviço disponível era o da voz, ou seja, fazer chamadas telefónicas. Os telefones eram autênticos “caixotes” (basicamente, um volume de 5 litros e um peso de 5 quilos). Em Portugal, o sistema (de origem alemã, Rede-C) foi disponibilizado já no final da década.

Entretanto, a meio da década de 1980, devido ao movimento na Europa para a livre circulação de pessoas, foi colocado o desafio à indústria para desenvolver um sistema que permitisse às pessoas usar o seu telemóvel para comunicar noutro país (o que não era possível com o 1G), isto é, aquilo que hoje em dia conhecemos por roaming. Nascia assim a 2.a geração (2G) no início da década de 1990, o GSM, com tecnologia digital (o que, aliás, é comum a todos os sistemas posteriores), com telefones que inicialmente já eram só um “tijolo” e permitiam ainda só as chamadas telefónicas. O sucesso deste sistema ultrapassou todas as expetativas em termos de número de utilizadores: em Portugal, o 1G atingiu pouco mais de 30 mil utilizadores, enquanto o 2G tinha quase 5 milhões de utilizadores no início do ano 2000. O sistema conheceu várias atualizações que permitiram a utilização de outros serviços, nomeadamente o SMS (que teve um enorme sucesso) e a transmissão de dados, embora a velocidades que hoje em dia consideraríamos “ridículas” (inicialmente, era de 9,8 kbit/s, tendo atingido um máximo de cerca de 150 kbit/s).

A 3.a geração (3G), o UMTS, já foi de-senvolvida num panorama completamente diferente do GSM, apoiando-se no sucesso deste e tendo surgido no início da década de 2000. Este sistema já permitia inicialmente velocidades de dados de 384 kbit/s, para além da voz e do SMS. O objetivo deste sistema era o de possibilitar as videochamadas, ou seja, fazer algo que também hoje em dia tomamos por banal, que é falar e ver alguém em simultâneo. O acesso à internet também já começava a banalizar-se, o que motivou o desenvolvimento de novas versões do sistema, que chegou a uma velocidade máxima atual de cerca de 40 Mbit/s. Os telefones atingiram o seu tamanho mínimo, mais pequeno que um maço de cigarros, e “quase” com um peso semelhante; o aparecimento do iPhone, em 2007, fez desaparecer o teclado físico do telefone, que passou a ser virtual no ecrã. A meio da década, em 2005, atingiram--se os 100% de penetração, ou seja, em média, cada português tinha um telemóvel, o que significava que muitos utilizadores possuíam mais de um telefone (porque, de facto, nem toda a população o possuía).

Já mais recentemente, no início da década de 2010, fomos apresentados à 4.a geração (4G), o LTE; com velocidades iniciais de 100 Mbit/s, que atualmente chegam aos 300 Mbit/s. O acesso à internet (com todos os serviços que conhecemos) a partir dos telemóveis (agora designados por smartphones) e a utilização das apps são algo que se faz com uma absoluta normalidade, mas que motivou que o tamanho dos telefones começasse a crescer, para possibilitar uma melhor leitura da informação. Passou-se também à situação em que muitos utilizadores possuem um telefone, um tablet e um computador com acesso LTE.

Prevê-se que a 5.a geração (5G) seja disponibilizada em 2020. Este sistema caracteriza-se por… já não tenho espaço nesta crónica, pelo que terá de aguardar pela próxima.

 

Professor de Comunicações Móveis,

Instituto Superior Técnico

 

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