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Parlamento. Geringonça resiste à primeira moção de censura

Parlamento. Geringonça resiste à primeira moção de censura

Miguel Silva Luís Claro 25/10/2017 08:01

Esquerda e PAN votaram contra moção de censura dos centristas. Pedro Nuno Santos garante que geringonça continua sólida

A moção de censura chegou ao parlamento com a garantia do Presidente da República de que se fosse aprovada serviria para “evitar um equívoco” e se fosse rejeitada para “reforçar” o mandato do governo” para “as reformas inadiáveis”. Foi rejeitada com 122 votos contra e 105 a favor. A geringonça resistiu à primeira moção de censura com o voto, para além dos socialistas, do BE, PCP, PEV e PAN. O CDS, que apresentou a moção, e o PSD votaram a favor.

Com o governo no pior momento da sua vida, desde que há quase dois anos tomou posse, os socialistas aproveitaram a interpretação feita por Marcelo. “É com satisfação que vejo a solidez demonstrada pela maioria que apoia este governo na Assembleia da República”, escreveu, nas redes sociais, Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. O deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro também garantia, uns minutos após o debate, que a geringonça saiu “mais forte” e com ânimo redobrado”. 

A união da esquerda serviu para chumbar a moção de censura do CDS, mas a defesa do governo coube essencialmente ao PS. A geringonça uniu-se sobretudo nas críticas ao CDS.
“Apresentar esta moção como fez o líder do CDS, como um instrumento para os partidos avaliarem se a morte de cem pessoas é grave, é mais do que desadequado, é obsceno”, afirmou a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins. 

Do lado do PCP, João Oliveira também acusou a direita de protagonizar “um aproveitamento inqualificável da tragédia dos incêndios florestais para esconder a política de direita que está na origem dos problemas dos incêndios e para passar uma esponja sobre as responsabilidades dos seus executores”.  OPCP fez, no entanto, questão de afirmar que “a rejeição da moção de censura não pode ser considerada como motivo de confiança nas opções e decisões tomadas quanto à prevenção e combate aos fogos florestais”. 

UM POLÍTICO HABILIDOSO

O debate começou com Assunção Cristas, presidente do CDS, a acusar António Costa de ter falhado quando o país mais precisava dele. “Quando o país precisava de um estadista, constatou que tinha apenas um político habilidoso”. O discurso da líder do CDS foi aplaudido pelos sociais-democratas. O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou o primeiro-ministro de “incompetência, soberba e insensibilidade”. Para o líder do grupo parlamentar do PSD, o país “sabe hoje que tem um primeiro-ministro excelente a dar boas notícias, mas nas horas difíceis, nas horas em que precisa de um chefe de governo, o senhor está ausente, o senhor falha”.
OPSD voltou a insistir na ideia de que António Costa deveria ter apresentado uma moção de confiança e aproveitou a posição dos comunistas para garantir, dirigindo-se a António Costa: “O senhor não tem a confiança deste parlamento”.

CONCURSO DE EMOÇÕES

A acusação de que António Costa foi insensível durante a tragédia foi feita até por alguns socialistas. Coube a Ana Catarina Mendes tentar desfazer essa ideia. “Que fique claro que não há nenhuma pessoa nesta sala que esteja mais consternada do que outra. Por respeito ao sofrimento de quem perdeu entes queridos, por quem perdeu o posto de trabalho, não há aqui concurso de emoções mas responsabilidades”, disse a deputada e secretária-geral adjunta do PS.
António Costa foi, ao longo do debate, explicando as muitas medidas que o governo tenciona implementar na prevenção  combate aos incêndios. “A resposta da direita é derrubar o governo e a nossa resposta é reconstruir o país”, afirmou.

PACTO DE REGIME 

O desafio para um pacto de regime, pedido pelo Presidente da República, foi feito já no final do debate pelo ministro Capoulas santos. “O governo mostra-se disponível para dialogar com todos e, com todos, procurar as melhores soluções para devolver sentimentos de segurança às populações e prevenir e reduzir a incidência dos incêndios rurais. É um assunto de uma enorme transcendência que recomenda um pacto de regime”, afirmou Capoulas Santos, depois de o PSD se ter disponibilizado para consensos nas matérias relacionadas com a prevenção e combate aos fogos florestais. 
Capoulas Santos criticou a moção de censura do CDS e considerou que esta é apresentada num “momento totalmente inoportuno”. Para o governante, esta moção de censura não é mais do que “um mero estratagema político para utilizar o parlamento e, através dele, procurar chamar a atenção do país para a competição que se está a travar entre o PSD  o CDS”.

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