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China. Xi suplanta Deng e acerca-se de Mao
Congresso do PCC termina quarta-feira com a renovação do mandato presidencial de Xi Jinping

China. Xi suplanta Deng e acerca-se de Mao

Congresso do PCC termina quarta-feira com a renovação do mandato presidencial de Xi Jinping AFP António Saraiva Lima 24/10/2017 18:16

Aprovação por unanimidade da inscrição do pensamento do presidente na Constituição do Partido Comunista fá-lo subir um degrau na hierarquia dos líderes políticos mais poderosos da China moderna

“Há cinco anos defendi que ele [Xi Jinping] era o mais poderoso líder chinês desde Deng Xiaoping. Estava enganado. Ele é hoje o mais poderoso líder chinês desde Mao Tsé Tung”. Este reconhecimento de um novo estatuto interno, logrado pelo presidente chinês, constava de um artigo de opinião redigido pelo ex-primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, publicado no passado domingo pelo “Financial Times”, e assenta que nem uma luva nos últimos desenvolvimentos do 19º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorre em Pequim desde a passada quarta-feira.

Isto porque os mais de 2200 delegados reunidos no Grande Salão do Povo aprovaram esta terça-feira, por unanimidade, a inscrição do pensamento político de Xi na Constituição do partido único, um gesto que, na teoria, faz subir o chefe de Estado na hierarquia dos mais poderosos dirigentes políticos da História moderna chinesa, ultrapassando Deng Xiaoping e colando-se a Mao.

A suplantação do arquiteto do chamado socialismo de mercado, prende-se com o facto de a teoria política de Deng apenas ter sido incluída na cartilha do partido cinco anos após a sua morte e não em vida, como o fizeram Mao e agora Xi.


Espraiado ao longo de 14 princípios – que advogam o papel central do PCC na liderança de todos os aspetos da vida política, económica, militar e social da China e reivindicam um papel de maior destaque de Pequim à escala global –, o “Pensamento de Xi Jinping Sobre o Socialismo de Características Chinesas Para Uma Nova Era” será agora objeto de estudo dos quase 90 milhões de membros do partido, bem como de toda a classe estudantil chinesa – do ensino primário ao universitário – ou dos funcionários das incontáveis empresas estatais.

“Os mais de 1,3 mil milhões de chineses vivem hoje com júbilo e dignidade. A nossa terra irradia enorme dinamismo, a nossa civilização brilha com eterno esplendor (...) e o nosso sistema socialista manifesta enorme força e vitalidade. A população chinesa e a nação chinesa abraçam perspetivas brilhantes”, proclamou Xi perante os delegados, em jeito de ‘agradecimento’ pela aprovação da sua filosofia política.

O 19º Congresso do PPC termina na quarta-feira com a mais que garantida renovação do mandato presidencial de Xi Jinping, por mais cinco anos, e a divulgação dos novos membros do poderoso Comité Permanente do Politburo.

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