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Constança Urbano de Sousa omite críticas ao nível de prontidão no dia da tragédia

Constança Urbano de Sousa omite críticas ao nível de prontidão no dia da tragédia

Marta F. Reis 13/10/2017 11:37

Na intervenção esta manhã no parlamento, a ministra da Administração Interna disse ainda não ter tido tempo para ler o relatório, apenas a nota divulgada à imprensa, que já denuncia a "rígida calendarização" dos recursos disponíveis

A ministra da Administração Interna omitiu esta manhã na sua intervenção no parlamento uma das conclusões dos peritos que pode ser imputada ao governo: o facto de, perante o risco atmosférico no fim de semana da tragédia, não ter sido antecipada a fase crítica de combate aos fogos - a chamada fase Charlie. Constança Urbano de Sousa começou por dizer que não se demite e que não é em 24 horas que pode haver um debate sério sobre o documento, afirmando que não é possível guiar-se pela imprensa que publica "parágrafos descontextualizados".

Ontem, pelas 16h, António Costa disse que só tinha lido a nota divulgada à imprensa. Esta manhã, Constança Urbano de Sousa continuou a usar este documento de três páginas para sustentar a sua primeira análise sobre as conclusões dos peritos perante a Assembleia da República. Para a ministra, houve falhas na prevenção estrutural do fogo, mas a maioria das mortes ficou a dever-se a um fenómeno meteorológico extremo. Da referida nota à imprensa, a ministra citou mesmo um trecho que diz essa modificação do comportamento do fogo "não poderia ser prevista por nenhum serviço de emergências em Portugal ou na Europa".

Nesta mesma nota, que não contém as críticas mais duras do relatório de 300 páginas ontem entregue aos deputados, pode ler-se desde já uma referência à falta de prontidão de meios. "A insuficiente prontidão dos meios de pré-supressão e combate face às condições meteorológicas e a consequente resposta desajustada face à ocorrência estão na génese da tragédia. Esta incapacidade em reconhecer e/ou responder adequadamente ao risco existe é uma característica intrínseca do sistema nacional de combate aos incêndios, devido à rigidez calendarização dos recursos disponíveis e à inexistência de conhecimento especializado". No relatório, torna-se mais explícita a crítica ao facto de a fase Charlie não ter sido acionada mais cedo, decisão que cabe ao governo. "Perante os avisos e alertas meteorológicos, estavam criadas as condições para que um eventual incêndio florestal se desenvolvesse, explorando as condições físicas, meteorológicas e de insuficiente prontidão das forças de proteção civil. A antecipação da fase crítica do DECIF poderia ter permitido a deteção mais precoce dos fogos nascentes e certamente teria tido implicações nos resultados do combate aos incêndios."

Recorde-se que, depois do incêndio, o i questionou o MAI sobre por que motivo não tinha sido antecipada a fase Charlie perante os avisos meteorológicos, algo que o gabinete de Constança Urbano de Sousa informou não ser necessário uma vez que havia os meios necessários no terreno. Cinco dias depois do fogo, o governo viria a antecipar em oito dias o início do dispositivo máximo de combate aos fogos. Uma das questões que falhou e que resulta do facto de em junho se estar ainda na fase Delta, a anterior à fase Charlie, foi a rede de postos de vigia. Essa questão também é abordada na nota divulgada à imprensa. "Os postos de vigia da rede nacional de deteção de incêndios mais próximos não estavam ativos", lê-se.

 

 

 

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