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Comissão de peritos: “Rede SIRESP está baseada em tecnologia ultrapassada”

Comissão de peritos: “Rede SIRESP está baseada em tecnologia ultrapassada”

Marta F. Reis 12/10/2017 15:37

Relatório sobre tragédia de Pedrógão Grande é duro com sistema de resposta nacional a emergências e condena ordem para que pedidos de socorro deixassem de ser registados

A comissão de peritos que analisou a tragédia de Pedrógão Grande considera que a rede SIRESP, que falhou nas horas críticas do fogo, “está baseada em tecnologia ultrapassada”. Uma das recomendações, além de explorar novas soluções para o futuro, é aumentar o número de antenas móveis e distribuí-las criteriosamente pelo território e garantir que a rede de fibra ótica utilize, sempre que possível, as condutas subterrâneas existentes ao longo dos itinerários rodoviários.

“Representou, quando foi introduzida, um enorme avanço em relação à fragmentação passada. Mas não acompanhou a evolução vertiginosa que as tecnologias de comunicação sofreram nos últimos anos”, declaram os peritos.

São duras as críticas à preparação da Proteção Civil, com os peritos a defender que a carreira não é adequada e que tem havido “desempenhos fortuitos, o que pode gerar (tem gerado), em alguns casos, situações com graves consequências.”

Sobre o desenrolar da tragédia, o grupo de 12 peritos declara que “não houve pré-posicionamento de forças, nem análise da evolução da situação com base na informação meteorológica disponível. A partir do momento em que foi comunicado o alerta do incêndio, não houve a perceção da gravidade potencial do fogo, não se mobilizaram totalmente os meios que estavam disponíveis e os fenómenos meteorológicos extremos acabaram por conduzir o fogo, até às 03h00 do dia 18 de junho, a uma situação perfeitamente incontrolável.”

No relatório com 300 páginas, os peritos revelam ainda que na madrugada de domingo o 2.º comandante nacional operacional Albino Tavares ordenou ao comando distrital de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita do tempo acerca dos alertas, tendo justificado a decisão com o excesso de informação. “Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável”.

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