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Nobel da paz para aliança anti-nuclear
ICAN tem feito pressão para a ONU aprovar um tratado que ponha fim às armas nucleares

Nobel da paz para aliança anti-nuclear

ICAN tem feito pressão para a ONU aprovar um tratado que ponha fim às armas nucleares AFP António Saraiva Lima 06/10/2017 16:48

Comité norueguês para o Nobel distinguiu a ICAN com o prémio, numa altura em que nos EUA se noticia que Trump está a preparar-se para rasgar o acordo nuclear iraniano.

A Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN, de acordo com sigla em língua inglesa) foi esta sexta-feira agraciada com o Prémio Nobel da paz de 2017. A coligação composta por dezenas de organizações não-governamentais de mais de 100 países sucede assim ao Presidente colombiano Juan Manuel Santos – distinguido em 2016 pelos esforços no processo pacífico com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) –, num dos períodos mais tensos das últimas décadas, no que toca à ameaça nuclear, muito por culpa dos últimos desenvolvimentos do conflito congelado na Península da Coreia.

«Vivemos num mundo em que o risco de serem utilizadas armas nucleares é hoje maior do que alguma o foi, em bastante tempo», constatou Berit Reiss-Andersen, líder do Comité Nobel norueguês, na hora de anunciar o vencedor do prémio, citando a questão norte-coreana e elogiando ainda os «esforços inovadores» da ICAN para colocar em vigor um «tratado de proibição» do armamento nuclear.

Foi sob a enorme pressão exercida por aquela organização que, em julho deste ano, 122 países aprovaram nas Nações Unidas o esboço de um tratado que, caso venha a ser ratificado por pelo menos 50 países – 53 já o assinaram, mas apenas 3 o ratificaram – abre caminho à proibição de todas as armas nucleares existentes. O facto de entre os assinantes não se encontrar nenhum dos nove Estados possuidores daquele tipo de armamento – China, Coreia do Norte, Estados Unidos, França, Índia, Israel,  Paquistão, Reino Unido e Rússia – reflete as dificuldades de se poder vir a conseguir  que o tratado veja a luz do dia.

Fundada em 2007 e com sede em Genebra, na Suíça, a ICAN fazia parte de um grupo de 318 candidaturas ao Prémio Nobel – 215 pessoas singulares e 103 organizações – e tinha como principal apoiante o antigo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. A distinção será entregue em dezembro, juntamente com um cheque na ordem dos 9 milhões de coroas suecas (cerca de 940 mil euros).

Beatrice Fihn, diretora executiva do aliança anti-nuclear, recebeu a notícia com natural satisfação e voltou a fazer campanha pela causa defendida pela ICAN. «Não podemos continuar a ameaçar centenas de milhares de civis com uma chacina indiscriminada em nome da segurança», defendeu, citada pelo Guardian. Em comunicado, e na mesma linha de Reiss-Andersen, a ICAN alertou para os perigos do atual «período de grande tensão global», alimentado pela «retórica inflamada que pode facilmente levar-nos a horrores indescritíveis», e defendeu que está na hora de «as nações declararem o seu apoio inequívoco à oposição às armas nucleares».

A véspera da revelação do Nobel da paz ficou marcada por novos desenvolvimentos, no que toca ao acordo nuclear iraniano. Segundo o Washington Post, o Presidente Donald Trump irá anunciar, na próxima semana, que o compromisso assinado em 2015 não está a ser cumprido e «não é do interesse dos EUA», e irá pedir ao Congresso para debater a necessidade de aplicação de novas sanções económicas ao Irão, abrindo caminho para o fim do acordo.

Num encontro com militares na Casa Branca, na quinta-feira, o líder norte-americano já tinha defendido que é necessário «acabar com as agressões continuadas» e com as «ambições nucleares» de Teerão, prometido novidades «para breve» e sugerido que o atual momento é «a calma que antecede à tempestade».

 

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