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PSD. A corrida começou. E o “passismo” quer um herdeiro

PSD. A corrida começou. E o “passismo” quer um herdeiro

Diana Tinoco Sebastião Bugalho 05/10/2017 15:22

A saída de cena de Pedro Passos Coelho acelerou o ciclo político. O PSD escolhe novo líder dia 2 de dezembro e a disputa será entre Rui Rio e um dos três homens que agora se reúnem para discutir qual terá mais condições para suceder ao ex- -primeiro-ministro

O PSD mudou de corrida: passou da longa maratona de Passos Coelho até às legislativas de 2019 para um sprint entre Rui Rio e um herdeiro do ‘passismo’ que está por inscrever. Passos deu o tiro de partida no Conselho Nacional. A meta da pista está marcada para dia 2 de dezembro: data em que os militantes sociais-democratas votarão nas eleições diretas que elegem o seu novo líder. O congresso será, sabe o i, no fim de semana de 5, 6 e 7 de janeiro. Rio é candidato assumido, depois de um ano de discreta, mas intensa preparação. Sobra vaga para o ‘contra-rioísmo’, isto é, claro, o nome que quer herdar as bases que Passos deixou órfãs. E elas, apesar de algo dilaceradas pelo choque eleitoral do passado domingo, ainda aí estão. Três nomes saíram da toca, todos eles próximos de Passos, ainda que em diferentes proporções. São eles: Pedro Santana Lopes, Paulo Rangel e Luís Montenegro.

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nunca escondeu o seu respeito pelo líder “mais parecido com Francisco Sá Carneiro” desde o próprio, não colocando de parte, de igual modo, a sua disponibilidade para regressar a uma cadeira que já foi sua. “Ele nunca iria contra o Passos, nem deixaria o partido nas mãos de alguém que não achasse melhor que ele depois de Passos. É assim”, diz fonte próxima do também ex-primeiro-ministro, destacando a “proximidade” que este “mantém com algumas bases”. Santana é, no entanto, a candidatura mais espontânea, o que quer dizer menos meticulosa no suporte a nível de aparelho, mas a de maior popularidade extra-partidária.

 

A ponte geracional que Rangel pode ser

De Estrasburgo veio Paulo Rangel, outra figura já senatorial do partido que conseguiu manter autonomia política da direção de Passos, sem criticar o seu governo de 2011 a 2015 em qualquer dos seus (difíceis) momentos. É o candidato a líder com maior equilíbrio etário – entre a velha guarda e uma geração já ambiciosa – e com melhor equilíbrio histórico entre estas: chegou com Manuela Ferreira Leite, que agora está com Rui Rio, e conseguiu conviver e agradar a algum ‘passismo’, isto depois de ter sido candidato contra ele em 2010. “Podia ter criado fação, criticado publicamente. Nunca o fez. Isso mostrou categoria. Deu-lhe crédito”, avalia um barão dos ‘laranjas’ ao i. Rangel, que se tornou figura de proa do centro-direita europeu, mantém a tendência de concentrar novos quadros e tem feito contactos na geração que poderia ambicionar produzir o terceiro nome: não para ganhar, mas para dar visibilidade. Caso o eurodeputado avance, as fações jovens têm candidato e a corrida fica reduzida a dois. Rangel e Rio, num reencontro nortenho com histórias antigas por contar. No Conselho Nacional desta semana, Passos mencionou o seu nome duas vezes, com distinção.

A terceira possibilidade, que é até o favorito dos ‘passistas’ para suceder ao líder que não se recandidata, é Luís Montenegro. O homem que liderou o grupo parlamentar do PSD durante todo consulado de Pedro Passos Coelho tem sido pressionado por várias distritais do partido (Porto, Viseu, Setúbal, Santarém) a avançar, entre antigos vices-presidentes de Passos e antigos seus vices na bancada. A maior parte dos dirigentes que ascendeu internamente com Passos Coelho não favorece um cenário de liderança de Rui Rio e preferiria uma candidatura que se lhe opusesse como assumida herdeira do ‘passismo’. Montenegro, que também tem ambições públicas (“Ganhei o direito de poder estar no futuro do PSD”, disse ao Expresso este verão), está cauteloso; não por temer Rio, como Passos também deu a entender não temer na despedida, mas por recear duas coisas que são, no fundo, a mesma: a popularidade do governo atual, liderado por António Costa, e o resultado que o PSD (liderado por qualquer um) terá quando o enfrentar em 2019.

Passou-se, então, de não se ter a certeza se Rio aparecia, para não se saber quem o enfrentará. Ao que o i apurou, os três homens que não descartam entrar nessa corrida já agendaram reunião para se decidir: quem será o herdeiro de Passos para enfrentar o adversário do ‘passismo’.

Carlos Carreiras, em artigo de opinião neste jornal, assegura que a história não acabou aqui. E que Pedro Passos Coelho há-de voltar.

 

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