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Assistências. Quatro fenómenos de paixão que envergonham gente da I Liga

Assistências. Quatro fenómenos de paixão que envergonham gente da I Liga

Bruno Venâncio 05/10/2017 10:42

Académica, Famalicão, Nacional e Vitória de Guimarães B têm melhor média de espetadores nos seus estádios que o Estoril – e os estudantes ainda superam Moreirense, Belenenses e Vitória de Setúbal

Com a paragem do campeonato para os jogos internacionais – a que se segue ainda o fim de semana destinado à Taça de Portugal –, abre-se uma janela para observar alguns fenómenos que se vão verificando nos relvados portugueses. Ou, neste caso, ao redor deles. Falamos das médias de assistências nos estádios dos clubes profissionais em Portugal, onde é possível constatar alguns dados surpreendentes.

Acima de tudo, o facto de que quatro equipas da ii Liga (Académica, Famalicão, Nacional e Vitória de Guimarães B) conseguem ter melhor média de assistências do que um primodivisionário, o Estoril, com números que envergonham uma equipa que soma 26 participações no escalão principal – seis delas consecutivas, período no qual conseguiu um quinto e um quarto lugares que lhe valeram duas presenças seguidas na Liga Europa. Os canários têm uma média de apenas 1588 espetadores nos três jogos que já realizaram na Amoreira esta época, num total acumulado de 4763 espetadores. É verdade que ainda não receberam nenhum dos três “grandes”, mas um dos encontros, logo à segunda jornada, até foi diante do Vitória de Guimarães, uma das equipas que mais gente leva aos estádios por esse país fora. Além disso, esse fator nem pode entrar nestas contas, pois as equipas da II Liga não têm a oportunidade de receber Benfica, FC Porto ou Sporting...

A Académica, de resto, consegue mesmo a proeza de ter, nos quatro jogos que já fez no Estádio Cidade de Coimbra, uma média de assistências superior à de mais três clubes da I Liga (Moreirense, Belenenses e Vitória de Setúbal): 2165 espetadores, num total de 8661 – números, ainda assim, inferiores à média da temporada passada (2570), em que os estudantes, então já na ii Liga, ficaram à frente dos primodivisionários Moreirense, Tondela, Estoril e Arouca.

Numa tabela liderada pelo Benfica (média de 53 798 espetadores nos quatro jogos já disputados na Luz), realce para os números deploráveis dos históricos Belenenses e Vitória de Setúbal, cujos estádios têm capacidade a rondar os 20 mil lugares: média de 2022 para os azuis e 2009 para os sadinos. E os homens de Belém até estão a realizar um campeonato bastante interessante, ocupando neste momento o sétimo lugar, com 13 pontos em oito jogos. Mas nem assim...

Não é só na i Liga, todavia, que há números aflitivos. Onze das 20 equipas que militam no segundo escalão profissional de Portugal registam assistências abaixo dos mil espetadores por jogo e cinco delas (FC Porto B, Oliveirense, Braga B, Covilhã e Sporting B) apresentam mesmo números abaixo dos 500 espetadores por jogo – registos muito fracos e que contrastam com os cenários de vários estádios no Campeonato de Portugal, onde equipas como o Espinho ou o Farense desafiam claramente estes números. Há ainda casos específicos nos escalões distritais, como o do Beira-Mar, que tem apresentado molduras humanas assinaláveis desde que recuperou o velhinho Estádio Mário Duarte e que ambiciona voltar já esta temporada aos campeonatos nacionais, depois de uma travessia do deserto motivada por problemas financeiros.

 

Espanha multa pelos lugares vazios

Benfica, Sporting, FC Porto, Vitória de Guimarães, Braga e Marítimo registaram na época passada números superiores às quatro temporadas anteriores. Esta época, Rio Ave, Boavista, Chaves, Feirense e Tondela também apresentam números melhores que os registados no fim de 2016/17. O problema é que, na maior parte dos casos, números melhores não significam que os estádios estejam cheios – antes pelo contrário.

Os adeptos mais saudosistas recordarão os idos anos 80 e 90 – nem é preciso recuar mais –, em que era possível ver molduras humanas bem assinaláveis em qualquer jogo da i Liga. Hoje é quase impensável que tal suceda. O adepto atual gosta de futebol mas é no sofá, no quentinho da sua casa, onde tem tempo e espaço para entrar em discussões estéreis com amigos ou perfeitos desconhecidos nas redes sociais.

Em Espanha, no mês passado, o Celta de Vigo foi condenado a pagar uma multa por ter tido uma ocupação inferior a 75 por cento nos setores do Estádio dos Balaídos opostos à câmara principal da transmissão televisiva nos seus dois primeiros jogos em casa – e a sanção duplica se for abaixo dos 50 por cento. A regra da “perceção audiovisual do jogo”, que pede aos clubes para colocarem o máximo de espetadores possível entre as bancadas superiores, entrou em vigor esta época. “Numa ótima transmissão televisiva, o estádio deve parecer estar cheio. As penalizações só não se aplicam em casos de condições meteorológicas adversas”, pode ler-se no regulamento, votado pelos clubes e implementado com o objetivo de melhorar os jogos da Liga espanhola enquanto produto televisivo, “tornando a competição mais atrativa para o mercado nacional e internacional”.

O Celta, refira-se, é um dos clubes com médias de assistência mais baixas na Liga espanhola. Em 2016/17, o clube galego apresentou uma média de 16 462 espetadores por jogo em casa, um pouco acima de metade da lotação do seu estádio (29 mil espetadores). O Eibar, ligeiramente acima dos 5 mil por jogo, foi a equipa com média mais baixa. A primeira reação do Celta ao castigo foi baixar o preço dos bilhetes nos setores em questão para os jogos que se seguiram – uma medida a analisar pela Liga portuguesa, até devido ao facto de Pedro Proença ter ainda recentemente anunciado um acordo de cooperação com a sua congénere espanhola.

 

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