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Direita. O CDS sem PP conquistou Lisboa. E quer mais

Direita. O CDS sem PP conquistou Lisboa. E quer mais

Francisco Soares Sebastião Bugalho 03/10/2017 15:21

Cristas já é a principal força de oposição na Câmara de Lisboa e almeja a ser o rosto da oposição ao governo. Sucesso na capital também se vê nas juntas de freguesia. No norte, há feridas para sarar.

Mais uma Câmara Municipal, convertendo o penta do CDS em “hexa”, e a manutenção da maioria absoluta em Ponte de Lima chegariam para segurar Assunção Cristas, mesmo que a líder dos centristas não se tivesse candidato a Lisboa e conseguido o estrondoso resultado que conseguiu.

“Sem querer estar a repetir o antes dito, foi mesmo um resultado histórico para o CDS”, diz ao i João Gonçalves Pereira, porta-voz da candidatura do partido em Lisboa e vereador reeleito na cidade. “Foi com mérito da candidata [Assunção Cristas] e da sua entrega a este projeto, com mérito de uma equipa a conseguir grande mobilização, de uma JP (Juventude Popular) muito ativa e de quatro anos de trabalho árduo na Câmara, na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia”, descreve o dirigente e também presidente da distrital.

Menos repetido e ainda ao i, Gonçalves Pereira não se esforça por disfarçar a satisfação. “Eu andava a dizer há umas semanas que chegávamos aos 20%. Talvez fossemos poucos a acreditar, mas a verdade é que conseguimos. O otimismo compensou”, sorri, ao telefone, assegurando que “mais vereadores” (foram de 1 para 4) quer dizer “mais oposição”: fiscalizadora mas construtiva. E com Fernando Medina a falhar a maioria absoluta haverá lugar para isso.

 

Menos Juntos nas juntas

A candidatura “Nossa Lisboa”, encabeçada por Assunção Cristas com o apoio do Partido Popular Monárquico e do Movimento Partido da Terra , conseguiu destacar-se na capital. Em 2013, a direita unida (PSD/CDS) conseguira 51.156 votos. Este ano, Cristas conseguiu, sem o PSD, 51.953 votos. E a nível de juntas de freguesia isso foi evidente, substituindo o PSD como segunda força política depois do Partido Socialista.

Aconteceu no Parque das Nações, em que ficou com 23%, no Lumiar, em que ficou com 19% e também em Campolide e na freguesia da Misericórdia. Em Alcântara, o CDS ficou a 1% de passar o PSD e em Belém chegou aos 21,25%. Resultados sempre na ordem dos 18%, algo com muito pouco precedente no historial concelhio dos centristas, verificaram-se em freguesias como como Campo de Ourique, Alvalade, Santo António, Areeiro e na Estrela.

Raquel Abecasis, filha do histórico autarca Nuno Krus Abecasis, que trocou o jornalismo pelo sonho político, ficou a uns escassos 2% de roubar a junta das Avenidas Novas ao PS, tendo sido a junta que mais votou em Assunção Cristas para a câmara.

“Isto mostra que até nas juntas em que o PSD ganhou, perdeu votos para o PP [CDS] como não costuma perder”, avalia um veterano autarca dos ‘laranjinhas’, ao i.

 

Complicações no norte

Embora a euforia em torno da capital seja completada com o sucesso que a manutenção do apoio a Rui Moreira teve [e o mundo político sabe o quão difícil Rui Moreira pode ser com apoios partidários), a direção do CDS também aplaudiu o sucesso do seu vice-presidente, Adolfo Mesquita Nunes, que conseguiu que o partido fosse, pela primeira vez em 40 anos, a segunda força política da Covilhã.

Com sucessos na capital, na Invicta e uma boa marca no interior com a campanha de Mesquita Nunes, olha-se também para o Norte, onde o bastião de Ponte de Lima aguentou firme (para surpresa de alguns) e se conquistou Oliveira de Bairro.

Todavia, há sustos que necessitam relato.

Em Espinho, o CDS foi a última força política a concorrer ao município, com apenas 3,4%, depois de conflitos entre a concelhia local e a distrital de Aveiro. Em Oliveira de Azeméis, conseguiram-se somente 5,9% dos votos. Em Santa Maria de Feira, 5%, atrás do Bloco de Esquerda.

 

As dúvidas da oposição interna

Se é tácito que os resultados em Lisboa são históricos, ainda para mais com uma liderança tão recente quanto a de Cristas, e que a demarcação que vem sendo feita com o PSD garantiu sucesso autárquico em Lisboa e no Porto, a relação entre a presidente centrista e o aparelho do partido tem tido altos e baixos. A gestão do processo nacional autárquico, para o bem e para o mal, exemplificou isso: com os conflitos ao norte, com os sucessos nas metrópoles.

Cristas teve uma lista à câmara sem senadores partidários, sem nomes do grupo parlamentar e com uma independente a presidir à Assembleia Municipal e outra independente no terceiro lugar da vereação, logo a seguir a si mesma e ao citado Gonçalves Pereira. Os resultados não deixaram de aparecer. Se são transponíveis para o campo nacional é a dúvida da oposição interna, mais conservadora.

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