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Coreia do Norte continua a ameaçar apesar de mais sanções chinesas

Coreia do Norte continua a ameaçar apesar de mais sanções chinesas

shutterstock Magalhães Afonso 25/09/2017 11:04

Pequim limita exportações de petróleo e importações de têxteis a Pyongyang. Propaganda do regime de Kim Jong-un também sob sanção.

A China anunciou este fim de semana que vai limitar a exportação de petróleo para a Coreia do Norte a partir de 1 de outubro. O ministério do Comércio chinês vai também proibir as importações de têxteis norte-coreanos, muito lucrativas, de acordo com as sanções do Conselho de Segurança da ONU.

A China é o principal aliado comercial de Pyongyang e também um aliado político. Porém, nos últimos meses o regime de Pyonyang acelerou o programa nuclear e de desenvolvimento de mísseis, o que levou Pequim a aceitar as sanções contra a Coreia do Norte.

Estas sanções, que impõem também penalizações financeiras e económicas a países e empresas que mantêm negócios com o regime de Kim Jon-un, passam ainda pelo congelamento de bens de agências governamentais, como o Departamento de Agitação e Propaganda, que, segundo a ONU, tem “total controlo dos media”.

 

Opacidade

Um destes canais de propaganda foi silenciado pelo YouTube, o que deixou a Coreia do Norte ainda “mais opaca” para o resto do mundo. Desde há muito que observadores e investigadores contavam com as notícias oficiais do regime para alguns vislumbres do regime e do programa nuclear.

Mas um destes canais – o Uriminzokkiri – deixou de ser visto. O YouTube “cortou uma fonte muito importante de imagens usadas por investigadores não oficiais. Isto significa que o que acontece na Coreia do Norte é agora menos visível”, lê-se num comentário publicado no “38 North”, um site de análise à Coreia. “O entendimento ocidental da Coreia do Norte é muito limitado e cortar o acesso a estas pequenas janelas do pensamento e modo de vida limita ainda mais o nosso conhecimento do país”, acrescenta.

Os académicos usam as imagens oficiais dos lançamentos dos mísseis e das visitas de Kim Jing Un às fábricas para tentar perceber o progresso do programa de desenvolvimento de armas nucleares de Pyongyang.

E a evolução deste programa tem sido marcada por vários testes, o que tem levado a um escalar da tensão, em especial entre Pyongyang e os EUA.

Ontem, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse estar convencido de que os EUA não vão atacar a Coreia do Norte “porque sabem com segurança que o país tem armas nucleares”. Segundo Serguei Lavrov, praticamente toda a gente está de acordo com esta análise” e a “evolução dos acontecimentos não fará sofrer só dezenas de milhares de pessoas, mas sim centenas de milhares de inocentes, tanto na Coreia do Sul como na do Norte e também no Japão, Rússia e China, países próximos”, advertiu.

 

Retórica militar Lavrov, que pede calma e diplomacia para solucionar a crise, defendeu que o mundo não pode ficar sem dar resposta às ações de Pyongyang, mas que “também é inaceitável começar uma guerra” na península coreana.

No sábado bombardeiros norte-americanos voaram perto da costa norte-coreana para enviar “uma mensagem clara” a Pyongyang de que Washington dispõe de “opções militares” perante qualquer ameaça.

Pouco depois, o chefe da diplomacia norte-coreana, na Assembleia Geral da ONU, afirmou ser “inevitável” disparar mísseis balísticos contra os EUA depois do “Sr. Presidente do Mal” Trump ter chamado a Kim Jong Un um “Rocket man” em missão suicida. “Acabei de ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte falar na ONU. Se estiver a ecoar os pensamentos do ‘Little Rocket Man’, não estarão por aqui muito mais tempo”, twitou Trump.

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