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Descaramento de Kim voltou a cruzar os céus do Japão

Descaramento de Kim voltou a cruzar os céus do Japão

AFP António Saraiva Lima 15/09/2017 18:30

Coreia do Norte repetiu provocação de há duas semanas e fez sobrevoar um projétil balístico por cima da ilha japonesa de Hokkaido. China, Rússia e EUA exigem mais uns do outros.

Pela segunda vez no espaço de quinze dias, os habitantes de Hokkaido foram arrancados da cama pelo zunir das sirenes e pelo toque dos telemóveis, que lhes anunciavam um cenário tão ou mais aterrador que o do passado dia 29 de agosto. «Míssil lançado! Míssil lançado! Procure abrigo num edifício ou debaixo de terra», alertavam as mensagens de texto enviadas pelas autoridades japonesas, na manhã de sexta-feira (noite de quinta em Portugal). De Sunan, nos arredores de Pyongyang, um projétil balístico acabara de ser disparado na direção do norte do Japão.

Tal como tinha ocorrido no ensaio realizado no final do mês passado – na altura uma estreia, já  que nunca um míssil disparado pela Coreia do Norte havia sobrevoado o território japonês – o míssil de médio alcance lançado quando os relógios norte-coreanos marcavam as 6h30 (23h em Portugal continental) sobrevoou a península de Oshima e o cabo de Erimo, antes de se despenhar no mar, a leste da costa japonesa.

Diferente do seu antecessor, no entanto, foi a distância percorrida, o tempo em que esteve no ar e a altitude máxima que atingiu. Enquanto que o primeiro míssil percorreu 2700 quilómetros em 32 minutos, a uma distância de 550km do solo, este último projétil chegou aos 3700km em apenas 19 minutos, a 770km do solo.

O mais recente aviso balístico da Coreia do Norte – o 15º ensaio nos últimos nove meses, com um total de 22 mísseis de pequeno e médio alcance disparados – ocorreu passados apenas quatro dias da imposição de um dos mais duros pacotes de sanções de sempre a Pyongyang, por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas, justificado pela insistência do regime de Kim Jong-un em continuar a desenvolver o seu programa nuclear – postura enfatizada pelo inédito teste com uma bomba de hidrogénio no início deste mês.

Esse acordo alcançado na ONU, que decretou a limitação da importação norte-coreana de petróleo e a proibição das suas exportações de produtos têxteis, não foi tão duro como os EUA gostariam, muito por culpa das pressões chinesas e russas, mas não deixou de ser um compromisso assinalável entre os diferentes atores num jogo cada vez mais intrincado e de final imprevisível, e particularmente numa questão que separa mais do que une.

O lançamento de novo míssil de Pyongyang, no entanto, voltou a trazer a lume as desavenças entre os vários atores, e levou-os a apontar o dedo uns aos outros. Num comunicado divulgado esta sexta-feira de manhã, o Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, defendeu que «China e Rússia devem demonstrar a sua intolerância para com estes lançamentos balísticos imprudentes, tomando medidas diretas próprias» e como resposta, ouviu a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, catalogar como «irresponsáveis» e «inúteis», «quaisquer tentativas de desresponsabilização» americanas. No mesmo comprimento de onda, a diplomata russa Maria Zakharova, lamentou ainda o facto de apenas se ouvir «retórica agressiva por parte de Washington».

O tom do diálogo entre russos, chineses e norte-americanos tratará de moldar  o novo normal que Kim Jong-un quer impor na região.

 

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