25/9/17
 
 
Filipe Baptista 14/09/2017
Filipe Baptista

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Smart harbors

Os países da CPLP são, e sempre serão, bastante dependentes do mar e as suas posições geográficas, de maneira geral, são estratégicas do ponto de vista das principais rotas marítimas mundiais

Nos tempos que correm, a palavra “smart” é uma das que mais andam na boca do mundo. Hoje em dia é tudo orientado para o “smart”, sendo o termo mais sonante o das “smart cities”.

Um pouco por todas as grandes cidades da CPLP, o conceito de smart city tem vindo a ganhar expressão. A teoria é simples e assenta numa visão de de-senvolvimento urbano integrando tecnologias de informação e comunicação (TIC) e a internet das coisas (IoT na sigla inglesa) como veículos para gerir os recursos das cidades.

No quadro da CPLP temos assistido a várias iniciativas e o conceito é aplicável em toda a linha de recursos de uma cidade. Desde o planeamento urbanístico à gestão de saneamento básico, redes de transportes ou rede elétrica, são vários os exemplos de iniciativas recorrendo à utilização das TIC e da IoT para melhorar e tornar mais eficientes as nossas cidades.

Numa visão mais afunilada da aplicação do conceito smart, a ARCTEL-CPLP tem em curso uma iniciativa que visa olhar para esta matéria de uma forma mais singular e cuja aplicabilidade tem um impacto mais alargado do ponto de vista dos benefícios para os Estados-membros, numa primeira linha, e para a comunidade lusófona, numa abordagem mais ampla. Refiro-me ao conceito de “smart harbors”, cuja iniciativa foi aprovada pela Reunião de Ministros das Comunicações da CPLP em agosto de 2016.

À primeira vista, uma associação de reguladores pouco ou nada terá a ver com uma infraestrutura cuja supervisão está longe da alçada das comunicações. Contudo, a modernização dos portos e a sua requalificação em busca de maior eficiência não é possível sem integrar as TIC, e aqui trazendo para a discussão, embora que de forma marginal, os reguladores ou, pelo menos, o setor das comunicações.

Os países da CPLP são, e sempre serão, bastante dependentes do mar e as suas posições geográficas, de maneira geral, são estratégicas do ponto de vista das principais rotas marítimas mundiais. A modernização dos seus portos é vital para o desenvolvimento das suas cidades e, naturalmente, dos seus países.

É neste âmbito que a ARCTEL lançou o desafio, tendo como principal objetivo demonstrar a importância do setor das comunicações para os diferentes setores de atividade, e que a Associação dos Portos de Língua Portuguesa (APLOP) o aceitou. Decorreu, aliás, por estes dias o x Congresso da APLOP em Lisboa e, para quem lá passou, foram evidentes duas coisas: os portos são uma peça fundamental no desenvolvimento dos países da CPLP e são um dos principais vetores para o crescimento da CPLP enquanto comunidade interregional.

Arrisco dizer que o desenvolvimento dos nossos países deve ser feito de forma integrada, mas numa perspetiva do mar para terra, onde cabe também a questão dos cabos submarinos. A modernização portuária arrasta várias oportunidades e basta ver o exemplo de Portugal, onde a carga nos portos do Continente superou os 40 milhões de toneladas no primeiro semestre face ao mesmo período em 2016. Este efeito sente-se em terra e na economia.

Sendo o mar um desígnio natural, esta é apenas uma forma de tirar partido dele. Casando dois setores tendo em vista um benefício alargado, ARCTEL e APLOP irão trabalhar no sentido de criar um modelo que sirva o propósito de contribuir para o desenvolvimento e crescimento das economias dos nossos países. Um projeto que tem, naturalmente, de contar com o setor privado tendo em vista a transferência de tecnologia e de boas práticas. Se chegarmos a bom porto, poderemos vir a criar uma marca distinta dentro do conceito das “smart initiatives”.

Escreve à quinta-feira

 

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