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Autarca suspeita que denúncia anónima tem origem partidária

Autarca suspeita que denúncia anónima tem origem partidária

João Porfírio Sebastião Bugalho 14/09/2017 09:55

Direita espera até depois das eleições autárquicas, preferindo não dar ao presidente da Câmara de Lisboa “desculpas para uma vitimização” durante a campanha eleitoral.

Uma calúnia. Foi como Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, reagiu ontem às notícias que revelaram o facto de ter adquirido um imóvel a uma familiar de uma empresa a que adjudicou diretamente mais de 5 milhões de euros de obras enquanto autarca.

Ontem, num evento de campanha da sua recandidatura pelo Partido Socialista, revelou sentir uma “profunda indignação com o que está a acontecer nesta campanha eleitoral”.

“Soube hoje que houve denúncias anónimas ao Ministério Público, algumas delas feitas chegar por mão de candidaturas adversárias a jornais que fizeram circular factos que são falsos. Essas alegações, que ofendem a minha honra e honorabilidade e pretendem atingir o meu bom nome, são totalmente falsas”, acrescentou o antigo secretário de Estado do governo de José Sócrates.           

“No site medina2017.pt descrevo com todos os passos e comprovo, com todos os documentos associados à compra da casa, que agi como todos os cidadãos de bem. Tive conhecimento de uma casa que estava à venda no mesmo prédio dos meus sogros. Decidimos fazer a compra e toda a negociação foi feita através da agência imobiliária”, clarificou ainda aos jornalistas, concluindo que “é com enorme sentido de repúdio” que vê “o que está a ser feito nesta campanha com base em denúncias anónimas” que, do seu ponto de vista, “alimentam uma falsidade” para o tentar atingir na sua “honra e bom nome”.

Para Medina, o preço que pagou pela casa “é superior à média praticada naquela zona para imóveis equivalentes e totalmente em linha com os imóveis que foram transacionados naquele prédio”.

 

Direita à espera

Quem não tenciona cavalgar a onda de polémica que assolou a candidatura de Fernando Medina são os partidos da direita que o pretendem destronar a 1 de outubro, quando os portugueses forem a votos nas eleições autárquicas. “Depois das eleições será o tempo apropriado. Não podemos dar-lhe desculpas para uma vitimização”, adianta fonte próxima da campanha do CDS ao i.

Teresa Leal Coelho afirmou, já citada pelo i de ontem, acreditar que Medina “tem uma visão da sociedade também na defesa da transparência e do escrutínio”, estando “convencida de que as explicações serão dadas”. Assunção Cristas permanece em silêncio sobre o tema e – caso não haja um agravamento do que já está a ser investigado pelo Ministério Público e pelo DCIAP de Lisboa – assim deve permanecer. “A campanha estava a correr bem ao CDS numa onda de propostas. Duvido que Cristas queira sair desse padrão”, observa a mesma fonte.

Do lado do PSD, o candidato a presidente da Assembleia Municipal, José Eduardo Martins, escreveu nas redes sociais que espera, “a bem de todos, começando pelo próprio [Medina], que isto não fique tudo por esclarecer”.

Ao que o i apurou, o aparelho local socialista suspeita fortemente dos partidos à sua direita – PSD e CDS – no que diz respeito à origem das denúncias feitas anonimamente ao Ministério Público contra Fernando Medina.

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