19/11/17
 
 
José Cabrita Saraiva 12/09/2017
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Se isto não é caça à multa, o que é caça à multa?

Existe em Portugal alguma esquizofrenia na aplicação da lei. 

Ora as autoridades agem com grande complacência – e bem, quando não há factos graves envolvidos –, ora se mostram de uma inflexibilidade implacável. No final de agosto foi noticiado que em Santa Maria da Feira a GNR multou 41 condutores por não fazerem pisca à saída de uma rotunda! Mais ou menos por essa altura, um amigo que possui um carro potente contou-me uma história com o mesmo sabor a injustiça.

Num desses dias de verão em que há pouco movimento, ele saiu tranquilamente de casa em direção ao local de trabalho. Em circunstâncias normais, o trajeto leva-lhe 40 minutos – mal sabia ele que nesse dia haveriam de passar cerca de quatro horas antes de chegar ao emprego. É evidente que quem possui carros potentes gosta de lhes dar uso e de andar a velocidades acima dos limites. Não foi o caso.

Na autoestrada, ele seguia a uns moderados 100-110 km/h quando foi mandado entrar numa estação de serviço por um automóvel descaracterizado. “O que se passa?”, questionou ao agente da autoridade. “Andamos a fazer uma ação de sensibilização”, respondeu este. O meu amigo ficou mais sossegado. “O senhor sabia que andou mais de três quilómetros na faixa central?”.

Ele reconheceu a culpa. Vai daí e o agente começa a passar-lhe uma multa. De um momento para o outro, a “ação de sensibilização” tinha-se transformado em algo bem menos agradável. O meu amigo respondeu sempre com educação e, conversa puxa conversa, os agentes lá lhe confessaram que, ao verem a sua “bomba”, começaram a segui-lo na esperança de que ele acelerasse e incorresse em excesso de velocidade. Isso não aconteceu, mas descortinaram outro ponto fraco. Acontece que as coisas não se ficaram por aqui. Ao verem a sua carta de condução, notaram que não estava regular.

“O senhor não sabe que aos 50 anos tem de fazer a revalidação?”. Malogradamente, ele tinha celebrado o 50.º aniversário não muito tempo antes. Seguiu-se uma segunda multa e uma ida para o IMT para revalidar a carta. Este meu amigo não prejudicou ninguém – não havia movimento, não empatou o trânsito, nada. Mas teve de pagar duas multas que ascenderam a umas poucas centenas de euros.

No final, o agente agradeceu e elogiou-lhe a simpatia. A verdade é que nem todos teriam reagido com tanta calma. p.s. A questão da faixa do meio tem que se lhe diga. É evidente que há quem empate o trânsito e provoque situações perigosas. Mas uma das poucas vezes em que decidi firmemente circular pela direita por pouco não fui abalroado por um carro que entrou na estrada sem olhar. 

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