19/11/17
 
 
José Paulo do Carmo 08/09/2017
José Paulo do Carmo

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Rui Vargas: o aniversário perfeito no Lux

Prometia ser especial. Foi bem mais do que isso. Dá vontade de perguntar: “porra Rui , não podes fazer anos todos os dias?” Soube da festa pela Xana Nunes e fiquei interessado mal percebi que o Tó Ricciardi iria lá tocar. Ao investigar um pouco mais percebi que era um acontecimento e que seria imperdível, com tantos “monstros” da música eletrónica portuguesa de várias gerações e géneros musicais todos unidos pela força dos sons e em torno de um DJ que sempre pautou o seu percurso profissional pela sobriedade e profissionalismo tendo ao longo de anos de carreira sabido gerir da melhor forma a sua imagem e percurso: o bom gosto musical, o respeito dos colegas e a admiração do público. Noite de Vargas é noite sagrada no Lux. E foi ele que o conquistou.

Mesmo tendo passado a semana adoentado fiz questão de ir e cedo, uma vez que o Tó começava a tocar às 02h. Encontrei um ambiente mágico. E não me venham agora dizer que antigamente é que era. Estivessem lá, fossem, aproveitassem, desfrutassem. Olhava para as pessoas à minha volta e sentiam-se bem, estavam felizes, o ambiente no ar era afrodisíaco, um misto de caras conhecidas com um vasto público dos mais diversos cantos do mundo, como é apanágio do espaço. A cabina na pista de baixo estava no chão, bem perto das pessoas, o adeus definitivo do Lux altivo para aquele que se aproxima dos que tanto lhe fazem vénias. Tem sido um caminho e que caminho.

Os artistas, esses deram espetáculo. Dos irmãos Ricciardi à Yen Sung, do Rui Trintaeum ao Switchdance passando pelo Zé Pedro Moura até ao DJ Vibe. Sempre acompanhados pelo aniversariante em versão quase back to back com todos. 

Na pista do bar, o André Granada e o Xinobi num all night long set estiveram à altura da festa com sonoridades bem diversas que nos permitiram seguir numa viagem desde o disco ao techno. O resto foram as pessoas que aderiram com vontade de cumprir uma noite de todos os sonhos e isso sentia-se no ar, a vibração das pessoas a cada batida, a cada mistura, a expetativa e mistério que se criava pela próxima música.

O Lux, esse, toda a gente conhece. Já fui a tantos clubs em tantos países e só em Berlim, talvez, me tenha divertido com a mesma intensidade. E não me venham com histórias do “ ah e tal se tivesse noutro país era das melhores discotecas do mundo”. Errado. O Lux é das melhores do mundo e não são esses rankings do quem paga mais é que fica mais à frente que o vão desmerecer. A decoração, o serviço, a equalização a qualidade musical , a programação e o ambiente. É muito difícil encontrar tanto num espaço só. Aproveitem bem enquanto podem, um dia, como tudo na vida, irá acabar e quem não o aproveitou irá arrepender-se à séria.

Nessa noite tive ainda tempo para encontrar dois senhores da noite e da música, o Paulo Nery e o Tó Galamba. Como é bom rever amigos e pessoas que marcaram tempos e tempos. Diverti-me, foi das melhores noites que vivi ali, quem esteve vai recordar para sempre. Prometia ser especial mas foi XXX. Obrigado Lux por continuares assim, já é tempo de te transformarem em património cultural tal o contributo que tens dado à cidade. Obrigado Rui porque, como escreveste, “Dar e receber. Porque estivemos juntos. Devia ser a nossa forma de viver”.

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