19/11/17
 
 
João Gomes Almeida 08/09/2017
João Gomes De Almeida
Cronista

opiniao@newsplex.pt

O país dos “politólogos”

Perguntar a um “politólogo” se determinado candidato está a fazer uma boa campanha, é o mesmo que pedir a um mecânico com 70 anos para consertar um Tesla

Desde que me lembro de ler jornais que me lembro também da presença de declarações dos “cientistas políticos”, ou se preferirmos dos “politólogos”. Nos últimos anos, esta moda alastrou também ao comentário televisivo e à rádio. Seja qual for o tema da vida política nacional, desde que esteja na agenda do dia, lá aparecem estes senhores a emitirem os seus juízos. São há anos os mesmos profissionais e muitos até têm a sua imparcialidade à partida inquinada por óbvias preferências partidárias e ideológicas.

Obviamente, que nada tenho contra o facto de alguém emitir uma opinião – eu próprio o faço, neste e noutro jornal, semanalmente. Acontece que estes senhores não se limitam a assinar artigos de opinião. Bem pelo contrário, aparecem, sempre agarrados à moleta dos títulos de “professor universitário” ou de “investigador”, para com isso emitirem opiniões pessoais revestidas de pareceres técnicos ou académicos. Este problema é tão grave, que por vezes parece que o papel dos politólogos na opinião pública se limita a ser uma tentativa de dar um carácter científico às suas agendas ou dos políticos com os quais simpatizam. Em muitos casos, tenho até dúvidas se muitos dos assuntos que os a comunicação social trata como sendo do domínio da “ciência política”, efetivamente o são. A política moderna, não a velha politiquice, tem mais haver com marketing, data science e analytics, do que propriamente com as coisas que ocupam os estudos de um “politólogo”. Perguntar a um “politólogo” se determinado candidato está a fazer uma boa campanha, é o mesmo que pedir a um mecânico com 70 anos para consertar um Tesla.

Quem acha o contrário, deveria perder algum tempo a ler e a ver tudo aquilo que os politólogos disseram aquando do lançamento da candidatura de Donald Trump às diretas do Partido Republicano. Inquirir um “politólogo” sobre a prestação de um candidato num debate televisivo, é o mesmo que pedirmos a um taxista conselhos sobre moda. Ou seja, será que alguém que estuda a ciência política está habilitado para dar pareceres sobre algo que é puramente do domínio da comunicação? Hoje em dia, existem especialistas em tudo e mais alguma coisa. Até quando é que teremos que continuar a ouvir exclusivamente os “politólogos” sobre as temáticas de política? Não estarão os marketeers, publicitários ou consultores de comunicação, melhor preparados para falar sobre as estratégias de comunicação de um determinado candidato do que alguém que estuda ciência política? Não quero com isto dizer que as opiniões destes profissionais não são válidas. Bem pelo contrário, o que quero dizer é que lá por um tema ser político o mesmo não tem que ser exclusivamente tratado por “politólogos”. Não estará na altura de as redações dos jornais reciclarem as listas telefónicas?

 

Publicitário

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

Não tem utilizador? Clique aqui para registar

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×