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Entrevista a Joaquim Vieira: ‘Balsemão comprou a SIC com recurso a um testa-de-ferro que ficou na miséria’

Entrevista a Joaquim Vieira: ‘Balsemão comprou a SIC com recurso a um testa-de-ferro que ficou na miséria’

Mafalda Azevedo Joana Marques Alves e Vítor Rainho 26/08/2017 11:07

Saiu em rutura com o Expresso há anos e agora desafiaram-no a fazer uma biografia de Francisco Pinto Balsemão. Aceitou e fez um retrato de ‘corpo inteiro’.

Por que se lembrou de escrever esta biografia?

Não me lembrei, foi a editora que me convidou. Não me teria ocorrido fazer a biografia de Balsemão, mas foi-me lançado o desafio. Ainda hesitei um bocado, de certa forma, sou protagonista desta história – estive no Expresso, saí em conflito. Mas após alguma reflexão achei que poderia ter o distanciamento e a isenção necessárias para fazer a biografia.

(…)

Não receia que as pessoas digam que este livro é uma vingança por ter saído do grupo?

Admito que há quem diga isso, mas na introdução do livro explico que achei que estava em condições para fazer a biografia de forma isenta. E nem acho que o livro seja muito crítico. Quanto a mim, o livro enaltece aquilo que Balsemão fez de positivo do ponto de vista político e na história dos media. E aponta também os problemas, como a criação da SIC e 40% do capital que teve de ir buscar ao estrangeiro, com recurso a um testa-de-ferro. Mas isso é tudo factual, está tudo documentado.

40% do dinheiro por detrás da criação da SIC entrou com recurso a um testa-de-ferro?

Sim, 40% do capital para criar a SIC teve de vir de fora de Portugal com recurso a um testa-de-ferro, que era um amigo de infância, Luís Correia de Sá. A lei só permitia que os órgãos de comunicação na altura tivessem 10% de capital estrangeiro. E Balsemão com 10% não ia a lado nenhum, não tinha dinheiro para a SIC. Esse Correia de Sá tinha estatuto de emigrante, explorava o catering de plataformas petrolíferas em vários pontos do mundo, principalmente em Angola. Isso dava-lhe o estatuto de emigrante, estava registado em Luanda. E os emigrantes, para poder facilitar a captação de capitais, podiam ter depósitos em divisas cá dentro e o Banco de Portugal não inquiria de onde vinha o dinheiro.

Balsemão combina que o grupo Pallas (um grupo de investimento internacional) dava o dinheiro ao amigo. E assim aparece Luís Correia de Sá com uma empresa em nome dele, a LCS, com os 40% na SIC. E até há uma comunicado interno do Balsemão a dizer que a partir do dia seguinte o seu amigo de infância ia entrar com 40% na empresa.

Mas a história acaba por tornar-se complicada: Luís Correia de Sá ganhou muito pouco com isto, uns 110 ou 115 mil euros, mas aparece na lista dos homens mais ricos de Portugal feita pela revista Fortuna. Afinal, é um dos homens por detrás da criação da SIC. Correia de Sá estava num processo de divórcio da mulher, que era belga e tinha ido para Bruxelas com as duas filhas. Ela viu a revista e avançou com um processo no tribunal de Bruxelas para ficar com metade de uma fortuna que ele não tinha. Correia de Sá perde o processo e hoje em dia está completamente falido, na miséria.

Balsemão não o ajudou?

Que eu saiba não.

Joana Marques Alves e Vítor Rainho

 

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa do SOL, já nas bancas

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