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Júlio Resende e Salvador Sobral: ‘As pessoas procuram figuras para adorar num dia e odiar no dia a seguir’

Júlio Resende e Salvador Sobral: ‘As pessoas procuram figuras para adorar num dia e odiar no dia a seguir’

Diana Tinoco Diogo Vaz Pinto 05/08/2017 15:24

Com a banda rock Alexander Search, Júlio Resende e Salvador Sobral ressuscitaram um dos primeiros e mais íntimos amigos imaginários de Fernando Pessoa. Da sua rebeldia adolescente, fizeram uma liturgia assombrosa dedicada aos que renegaram os deuses frívolos e os ídolos banais deste tempo.

Depois de um sucesso esmagador, os dias ainda lá estão na sua marcha constante. É preciso descolar as horas, não deixar fugir o chão. Salvador Sobral claramente não se deslumbrou com a fama instantânea depois da vitória em Kiev, no Festival Eurovisão da Canção. Voltou à base, aos seus, e ao desafio perpétuo de quem não perde de vista o horizonte artístico. Júlio Resende era já um parceiro, e os dois tinham já tática e estratégia definidas, um caminho de que não querem desviar-se. Entre os projetos comuns, destaca-se Alexander Search, uma banda rock que foi buscar as letras à poesia em inglês daquele heterónimo de Fernando Pessoa. As influências do indie-pop e do jazz fazem do disco homónimo um febril ensaio a partir das capacidades sonhadoras do poeta, canções com o arroubo próprio de quem tem confiança nos instintos da sua improvisão, na busca insaciável de novas aberturas, uma forma de açoitar a realidade com a ficção, para que ela se expanda e provoque um tremor até no mais desinspirado quotiano.

Disse que este projecto surge porque estava farto de tocar sozinho. Também Alexander Search, tido como um pré-heterónimo de Fernando Pessoa, vive uma angústia ligada a um forte sentimento de solidão. O que estava a passar-se na sua vida quando decidiu avançar para este projeto?

Júlio Resende: Estava a atravessar uma fase muito positiva do ponto de vista artístico. Se o jazz pertence a um nicho, no meu caso não estava então a sentir essa limitação. Fiz um disco que se chama Amália por Júlio Resende, que versa sobre improvisação, mas feita a partir de canções que fazem parte da nossa memória coletiva. E este pôs-me a tocar em todas as salas do país, e ainda em salas pelo mundo fora. Estive no Japão, no México, Alemanha, França… Em vários sítios. Mas esgotou-me. Senti que a próxima coisa que eu queria fazer teria de ser coletiva.

Como nasce Alexander Search?

Nasce de eu estar a ler os poemas e estar com vontade de não apenas fazer uma coisa coletiva mas divergente do que já tinha feito. Saiu-me do espírito a banda de rock que queria ter tido na adolescência. Quis partilhar o ânimo criativo, ter cinco pessoas a contribuir para a criação de uma música. Os pontos de enlace com a própria obra do Pessoa serão a necessidade de multiplicidade da minha parte, de contradição, na medida em que não gosto de convergir, tento abrir novos campos dentro do âmbito musical. Do mesmo modo que Fernando Pessoa explorou todos os campos da literatura, fosse a poesia, os contos, narrativas policiais, ensaios… Como tudo isso é literatura, tudo o que eu faço é música.

Leia a entrevista completa na edição deste sábado do Semanário SOL.

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