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Super Bock Super Rock. Dizer adeus na cápsula da memória

Super Bock Super Rock. Dizer adeus na cápsula da memória

Francisco Soares Davide Pinheiro 16/07/2017 14:11

Várias formas de nostalgia na última noite de festival. Os Deftones voltaram ao nervosismo adolescente, Seu Jorge regressou a David Bowie e Fatboy Slim encapsulou clássicos em maximalismo festivo. 

O primeiro dia do Super Bock Super Rock foi destinado ao rock e à geração de 90. O segundo ao hip-hop e aos tempos modernos. O terceiro, mais difícil de decifrar, deu passos atrás em várias direções.

Ao rock em que a ansiedade é amargura diária dos Deftones. E estavam lá, os fiéis do nu-metal que a banda sempre recusou, contemporâneos da revolta dos Nirvana a queimar as calorias que se avolumaram, a soltar o cabelo em queda, e um fã a chorar agarrado a Chino Moreno.

Em vinte anos, os Deftones nunca cederam à nostalgia, nem perderam relevância mas, para os fãs, aquele foi um pedaço de história revisitado e revivido. Naquela hora e pouco, o MEO Arena foi a cantina da escola, a sala de estudo, as lutas domésticas contra as decisões parentais e as primeiras escapadelas.

Uma catarse para menos de meio pavilhão num festival de cima para baixo. Começou sem espaço para mais uma alma com os Red Hot Chili Peppers, cativou uma nova geração com Future e o hip-hop nacional, e acabou a um minuto de distância entre a grade e a mesa de som.

O MEO Arena haveria de ganhar reforços para Fatboy Slim, o primeiro DJ superestrela, a viver à custa dos rendimentos de singles memoráveis como "Rockafeller Skank", "Right Here, Right Now" e "Praise You", agora reajustados a uma linguagem maximalista mais próxima de um EDM em morte acelerada e própria do público juvenil do Sudoeste do que de um festival inclinado para a esquerda.

Fez-se a festa, apesar de tudo. Do outro lado do recinto, Seu Jorge trazia não a "Burguesinha" ou "Amiga da Minha Mulher", mas a odisseia pelas memória de David Bowie.

Só com o violão, contou histórias da banda sonora de "The Life Aquatic", da personagem Pelé, e do telefonema do realizador Wes Anderson, onde tudo começou, mas o formato perdeu eficácia com o burburinho instalado pelo avolumar das conversas, as idas ao bar, as selfies e os vídeos para o Snapchat. 

Obstáculos num passeio pela memória que, com o tempo se percebeu, precisa da concentração de uma sala e não do trânsito social de um festival. Em 2018, o SBSR ao MEO Arena de 19 a 21 de Julho e já tem Slow J, o grande vencedor da edição deste ano, confirmado para o palco maior. 

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