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Alive. Foram detetados 248 bilhetes falsificados no último dia

Alive. Foram detetados 248 bilhetes falsificados no último dia

Diana Tinoco Sónia Peres Pinto 11/07/2017 11:08

Sites de internet venderam passes para três dias a 252 euros, quando nos pontos oficiais já estavam esgotados e com preço fixado nos 129 euros. Compradores ficaram barrados à porta e experiência pode repetir-se já esta quinta-feira com o festival Super Bock Super Rock

No último dia do festival NOS Alive – que tinha como cabeças- -de-cartaz os Depeche Mode – foram detetados 248 bilhetes falsificados, sendo a grande maioria comprada por estrangeiros, garantiu ao i Álvaro Covões, diretor da promotora Everything Is New, responsável pelo espetáculo. Neste momento, a promotora já tem os dados das pessoas que foram burladas e vai apresentar amanhã uma queixa à PSP. “Estamos a reunir a documentação toda para entregar, desde que os lesados apresentem provas de que tenha existido uma transação”, garante.

Contactada pelo i, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) garante que “não foi recebida, até ao momento, qualquer denúncia nesta Autoridade, sendo contudo matéria da competência do Ministério Público”.

Estes bilhetes foram comprados em vários sites de internet de empresas estrangeiras, mas visíveis em Portugal, bastando uma pesquisa. Álvaro Covões reconhece que esta prática não é nova, mas nunca ocorreu com esta dimensão. “Geralmente aparece um ou dois bilhetes por concerto, nunca aconteceu aparecerem quase 250, nunca se verificou esta escala”, disse, acrescentando ainda que este crime já foi denunciado pela Everything Is New há muito tempo e que chegou a ser um dos temas em cima da mesa numa reunião que ocorreu com a ASAE há pelo menos dois anos. “Estamos perante um crime que já denunciámos há muito tempo. O problema é a Google vender anúncios para IP portugueses de uma prática ilegal que é o mercado secundário de bilhetes. Acho inacreditável como é que estes sites não estão bloqueados em Portugal.”

Álvaro Covões esclarece que estas plataformas são revendedoras de bilhetes, sendo muitos destes falsos e só detetados já na entrada do recinto. “Já estamos fartos de alertar a ASAE para este problema, mas até à data não fizeram nada porque as prioridades são outras”, acusa o diretor.

Ainda assim, lembra as chamadas de atenção que têm sido feitas pelos vários promotores de espetáculos para que os consumidores comprem apenas os bilhetes nos pontos de venda oficiais. Álvaro Covões reconhece, no entanto, que estas situações de falsificações estão a ganhar novos contornos quando estamos perante espetáculos que estão esgotados.

 

Plataformas

O i sabe de vários lesados que compraram passes para os três dias através da plataforma Viagogo e da StubHub por 252 euros quando, nos pontos oficiais, o mesmo passe custava 129 euros. Mas, além do preço acrescido, não foi permitida a entrada dos compradores no recinto por o mesmo não ser verdadeiro.

Na página de internet da Viagogo, empresa sediada na Suíça, esta apresenta-se como uma plataforma online para a compra de bilhetes desportivos, musicais e de entretenimento ao vivo. “A Viagogo tem como objetivo oferecer ao público a maior variedade possível de bilhetes para eventos em todo o mundo. Também tem a intenção de ajudar os vendedores de bilhetes, desde pessoas físicas que gostariam de vender seus ingressos extras até grandes organizadores de eventos multinacionais, a alcançar uma audiência global”. Garante ter realizado parcerias com as principais marcas mundiais desportivas e de entretenimento e ter “ajudado muitos clientes de quase todos os países do mundo a terem acesso aos seus eventos favoritos em sua língua, moeda e no dispositivo de suas escolhas”.

Também a StubHub, sediada em Espanha, diz na sua página de internet que põe à disposição dos “utilizadores um serviço de mediação para a transação de títulos entre os donos legítimos de qualquer título/valor que dê direito de acesso a eventos e espetáculos públicos que estejam interessados e autorizados a cedê-los a um terceiro de forma gratuita ou onerosa e os interessados em ser adquirentes desses títulos”, mas diz ainda que não “é titular, nem proprietário, nem dono de nenhum dos títulos a que se refere o parágrafo anterior, nem cede, doa, vende, compra, arrenda, nem transfere nenhuma propriedade ou possessão dos mesmos, limitando-se a colocar à disposição dos utilizadores os serviços do portal, favorecendo e garantindo o correto desenvolvimento das transações dos títulos citados e a gestão económica das mesmas”.

O i fez uma ronda pela oferta destas duas plataformas para o próximo concerto que já está esgotado no festival Super Bock Super Rock, no próximo dia 13, que vai ter Red Hot Chili Peppers como cabeças-de-cartaz, e para esse dia a StubHub tem bilhetes disponíveis entre os 121,10 e os 200 euros – ou seja, bilhetes que já não são vendidos nos pontos oficiais. O mesmo acontece com os passes para três dias, que é possível adquirir entre os 115,50 e os 235,20 euros.

Já a Viagogo tem à venda passes para este concerto, para três dias, a 101,32 euros.

Contactada pelo i, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) diz ainda não lhe ter chegado nenhuma reclamação, mas lembra que que “para prevenir a venda ilegal de bilhetes aconselha-se que a sua compra se realize nos pontos de venda autorizados. Se a aquisição for efetuada através da internet, os compradores devem confirmar a autenticidade do bilhete e confirmar, igualmente, se o vendedor é autorizado”. Já quanto aos consumidores que foram afetados, a jurista Sofia Lima aconselha-os a expor a situação à ASAE.

 

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