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Depeche Mode. Música para as massas, com fé e devoção de culto

Depeche Mode. Música para as massas, com fé e devoção de culto

João Girão Davide Pinheiro 09/07/2017 14:00

No último dia do festival, banda regressou para gerir com mestria os clássicos e as novas canções.

O encore já vai a meio com a revisitação de "Walking In My Shoes". Nos ecrãs, um vídeo atual projeta uma mini-curta com linguagem de YouTube.

Sozinho no quarto, um rapaz olha-se ao espelho e não se reconhece. À medida que a canção vai avançando, transfigura-se. Maquilha-se e estica o cabelo até parecer uma mulher convincente. Sai de casa de saltos altos e termina a viagem num clube noturno.

O single vai para 25 anos de fé e devoção. O vídeo é novo e simboliza a relação entre a garantia dos êxitos e a vontade de adicionar novas camadas ao espetáculo.

Os três dias de festival esgotaram mas a noite dos Depeche Mode foi a primeira indisponível. Para bandas com uma história tão longa e importante, um novo álbum já é mais um gozo pessoal e um presente para os fãs do que um convite a novos públicos.

"Spirit" é um rodapé no alinhamento com três visitas de médico. "Going Backwards", na partida, "Cover Me" no centro e o single "Where's The Revolution", antes do salto no tempo até aos clássicos universais: "Everything Counts", "Enjoy The Silence", "Never Let Me Down Again" e, no final, a agitação rockeira de "I Feel You" e "Personal Jesus". 

Surpresas? Poucas. Eficácia? Tremenda.

Talvez o maior espanto seja a resistência ao tempo de Dave Gahan - todo ele é ginga, rodopio e provocação. Há vinte anos entrava em morte clínica, salvando-se por pouco.

Hoje, é um Elvis Presley em Fred Astaire. Duas horas de sedução partiram corações e despertaram fantasias. O rock também é isso, e os Depeche Mode sabem sê-lo a partir das origens eletrónicas.

Aos cabeças de cartaz, o horário nobre antecedido pelo rock abrangente dos Imagine Dragons a matar a fome sequiosa de singles "virais" como "On Top Of the World" e "Radioactive". Entre duas ordens de grandiosidade, lugar à intimidade dos Fleet Foxes no palco Heineken.

Num festival onde tudo é em escala e dimensão, uma banda folk para a qual o silêncio é necessário para compreender som tem o dobro do trabalho mas o concerto do frio para o quente encontrou no magnífico "Crack-Up" um aliado do encantamento. As canções são tão sensíveis e delicadas que não deixam mal um bom coração mas se há caso, neste festival, em que o inverno pode ser bom conselheiro é o dos Fleet Foxes.

Como uma lareira é pedir muito, uma sala é o lugar certo para criar o romance. Quando os Depeche Mode terminaram, lugar à festa com a Discotexas Band a celebrar dez anos de música de dança com atitude punk - hoje, são cada vez mais uma banda de disco-sound com semântica rock - e os Avalanches a elevar a linguagem dos discos para um formato maior de palco. Uma festa de oito frutos com sabores tropicais, antes de Peaches desafiar toda a gente a queimar as últimas energias. 

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