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NOS Alive. The Weeknd convence, The xx deslumbram, Phoenix espalham amor

NOS Alive. The Weeknd convence, The xx deslumbram, Phoenix espalham amor

João Girão Davide Pinheiro 07/07/2017 09:25

No dia da pop, The Weeknd seguiu as pisadas de Michael Jackson mas a coroa dos reis da noite foi para os xx. 

Caem as luzes. O cenário está montado. Um estrondo bombista sinaliza que o concerto de The Weeknd vai começar. E "Starboy" entra a ganhar perante o público.

"Há algum tempo que não vinha a Portugal", recorda Abel Tesfaye de casaco camuflado vestido. Pudera, em cinco anos tudo mudou. 

A voz da linha da frente do r&b privado saltou para a ribalta, moldando as canções para uma pop de clube noturno adaptada à grandeza dos maiores palcos. De degrau em degrau, assinou por uma multinacional, gravou para as "Cinquentas Sombras de Grey", conquistou êxitos, trabalhou com os maiores e seduziu os Daft Punk a produzir dois singles.

Weeknd faz a ponte entre a ascenção ao poder da música de raiz negra, e os millenials que alimentam um novo mainstream de Internet formado por Beyoncé, Drake, Kanye West, Rihanna, Bruno Mars e alguns outros. 

Nessa meia década, passou de quase anónimo no NOS Primavera Sound inaugural para cabeça de cartaz de um festival onde as tipologias sonoras se vão misturando. Ainda assim, a inclinação da primeira noite era a pop.

E The Weeknd o nome maior. Pela segunda vez em Portugal, mas pela primeira na condição atual, quis justificar o estatuto alcançado graças a êxitos estelares como "Can't Feel My Face" e "The Hills".

Sem nunca causar surpresa ou espanto, apresentou uma produção eficaz e com a grandiosidade necessária para prender a atenção de muitos milhares que esperaram por aquele momento. A voz, um elo mais fraco, não lhe falhou mas também não lhe permite correr riscos.

"Quando venho a Portugal, quero é festa", disse. O incitamento foi constante - talvez até demais, mas foi o expediente encontrado para interagir com o público enquanto corriam canções como "Or Nah", "Low Life" (uma parelha com Future), "Often", "Wicked Games" e "Party Monster".

No patamar Michael Jackson, Justin Timberlake tem um corpo muito mais inteiro mas Weeknd preenche a quota de êxitos transversais. Quando no final, colou "Secrets", "Can't Feel My Face" e "Feel It Coming", o final feliz desejado em eventos desta ordem de grandeza foi cumprido.

Weeknd, o devoto do Rei da Pop, teve direito a horário nobre mas o grande concerto da noite foi dos The xx. A banda encontrou o equilíbrio perfeito entre a fragilidade dos primeiros dois álbuns e a expansão emocional já demonstrada ao vivo, por exemplo quando organizaram o Festival Night + Day em Lisboa.

"I See You", o álbum deste ano, é o elemento unificador de Romy Madley-Croft, Oliver Sim e Jamie xx. Os dois vocalistas e instrumentistas têm a harmonia de fazer inveja ao casal mais unido, enquanto o produtor é cada vez mais necessário na retaguarda, agindo como um maestro dos ritmos, necessário na dinâmica de palco.

O minimalismo de "VCR", a crueza de "Crystalized", a comiseração de "A Violent Noise" e o corpo descarnado de "Chained" têm agora um outro lado do espelho em "Say Something Loving" e "I Dare You".


"Adoramos esta cidade. Tanto que trouxemos cá o nosso festival", afirma Oliver Sim a meio do concerto para gáudio do público que já ficaram em delírio quando declarou: "sabem uma coisa? adoro festivais porque permitem pôr o que aborrece para trás das costas".

E quando o concerto entra na ponta final, Jamie xx tem direito ao seu momento, recuperando "Loud Places", a canção dos xx assinada em nome próprio, para chegar até a "On Hold", a apoteose necessária para fechar um livro que só estaria completo com a lindíssima "Angels". 

E então Romy diz: "quero dedicar esta à minha noiva. Amo-te". 

No Clubbing, Jessy Lanza era a voz e o ritmo de uma forma de estar feminista no bom sentido. Isto é, a independência em pessoa, materializada numa voz perfumada e sedutora que adiciona doçura a ritmos de baixo fidelidade e nem sempre lineares. 

E ainda no domínio da pop relacional, os Phoenix foram livres, leves e soltos. Revolveram um catálogo de canções pop, de "Too Young To Die", a "If I Ever Feel Better", "Lisztomania" e "Trying To Be Cool", e adicionaram as novas "J-Boy" e "Ti Amo", já com Thomas Mars em êxtase no meio do público.  

Os Phoenix do palco têm refrões pop, músculo rock, sentido de humor refinado e a sensibilidade de quem recebeu bons conselhos. Perfeito. 

 

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