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BCE. Combater a desigualdade com educação e inovação

BCE. Combater a desigualdade com educação e inovação

AFP Magalhães Afonso 27/06/2017 08:11

Mario Draghi esteve ontem no ISEG para uma sessão de perguntas e respostas com estudantes universitários portugueses e de outros países europeus

A desigualdade foi um dos temas em destaque na tarde de ontem. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) esteve no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) para responder a dúvidas de jovens sobre temas desde a política monetária à transparência das instituições, passando pela produtividade, a inovação e o desemprego.

Quando questionado sobre a relação entre a desigualdade e a estabilidade financeira, Mario Draghi começou por salientar a pertinência do tema, que diz ter sido relegado para segundo plano, e considerou que a desigualdade é um fenómeno “altamente destabilizador” que precisa de ser combatido com investimento em capital humano, educação e inovação.

“A globalização, a competição, a tecnologia criaram riqueza, mas também produziram uma enorme desigualdade, porque uma enorme parte da população não beneficia dessa riqueza. É um fenómeno altamente destabilizador para todas as áreas da nossa sociedade, incluindo a estabilidade financeira”, disse o presidente do BCE durante o primeiro ECB Youth League.

De acordo com Draghi, este é um fator destabilizador “contra o qual se deve lutar”, e o presidente do BCE apontou a educação, a inovação e o investimento em capital humano como formas de resolver o problema. No entanto, recordou que estas são áreas de intervenção dos governos dos países.

Da parte do BCE, o contributo possível é conseguir uma inflação próxima mas abaixo dos 2%, uma vez que uma inflação muito baixa, como a atual, “beneficia mais os credores”.

 

Política Monetária Além disso, notou Draghi, “a maior fonte de desigualdade é o desemprego”, pelo que uma política monetária mais expansionista, que estimule a atividade económica, poderá atenuar as desigualdades.

As perguntas a que Draghi respondeu foram escolhidas pelo Banco de Portugal a partir de sugestões de estudantes universitários portugueses, de outros países europeus e de outras partes do mundo.

Um outro tema da sessão foi a utilização do dinheiro dos contribuintes na resolução dos problemas dos bancos.

“Temos de garantir que o uso do dinheiro dos contribuintes é minimizado”, disse o presidente da instituição com sede em Frankfurt, acrescentando que “os bancos aumentaram os seus próprios meios, puseram de parte recursos capazes de absorver perdas em caso de crise”.

Em relação ao crescimento económico, Mario Draghi defendeu que as taxas de juro têm de permanecer baixas para que este recupere. Segundo o responsável, o retorno das poupanças será visto no “tempo devido”.

“Quando o crescimento recuperar e quando as expetativas de inflação demonstrarem uma tendência convincente para o nosso objetivo, as taxas de juro voltarão a ser superiores e, nesse momento, as pessoas que poupam também terão o seu retorno”, argumentou, alertando que “se se aumentar as taxas de juro na altura errada é possível cairmos numa nova recessão”.

 

Debate Esta sessão antecipou o quarto Fórum do BCE, que ontem começou em Sintra. O encontro de três dias conta com alguns dos principais banqueiros centrais das economias avançadas e vários economistas, para debater o investimento, inovação e crescimento.

Os trabalhos terminam com um painel de debate de banqueiros centrais: Mark Carney (Inglaterra), Mario Draghi (BCE), Haruhiko Kuroda (Japão) e Stephen Poloz (Canadá) serão moderados por Karnit Flug, a governadora do Banco de Israel.

 

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