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Governo apoia novas plantações de eucalipto? “Não corresponde à verdade”

Governo apoia novas plantações de eucalipto? “Não corresponde à verdade”

Diana Tinoco Marta Cerqueira 26/06/2017 08:40

Governo não trava concurso que apoia plantação de eucalipto, mas garante que o objetivo é a reordenação do território

O timing parece calculado, de tão irónico que é. Uma semana antes dos incêndios que afetaram a zona de Pedrógão Grande, o Ministério da Agricultura abriu um concurso de nove milhões de euros, em fundos comunitários, para a rearborização de eucaliptos. Recorde-se que esta espécie, que existe em abundância em Pedrógão, é considerada muito inflamável, e a Quercus já alertou até para o facto de estar normalmente na origem de incêndios de grande dimensão.

No entanto, o governo reiterou ontem a intenção de manter abertos os concursos, no montante global de 27 milhões de euros, para promover o ordenamento do território. Segundo uma nota enviada às redações, o Ministério pretende dividir esse valor em três: nove milhões de euros serão aplicados na área ocupada por eucaliptos, nove milhões no ordenamento do pinheiro-bravo e outros nove milhões na promoção do ordenamento do pinheiro-bravo. E entre os concelhos com prioridade nos critérios de elegibilidade para estes fundos estão alguns dos mais afetados pelos incêndios: Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Penela, Góis e Sertã.

Reforma florestal O Ministério da Agricultura aproveitou o mesmo comunicado para lembrar que na proposta de reforma florestal são proibidas novas plantações de eucaliptos, “exceto em áreas de povoamentos já existentes e mediante planos de gestão e ordenamento previamente aprovados”, ou em compensação da redução de área desordenada por área ordenada, em dimensão equivalente.

A proposta de lei que o governo remeteu em abril à Assembleia da República determina que “os apoios à florestação ou reflorestação só são concedidos se os projetos estiverem integrados em povoamentos geridos e ordenados”, pode ainda ler-se.

Ainda em Góis, um dos concelhos afetados pelos incêndios, o ministro da Agricultura tinha dito esta semana que é intenção do governo “travar a expansão da área de eucalipto”. Para isso, pretende “em menos área produzir mais matéria-prima para uma indústria que representa dois mil milhões de euros de exportações”.

Foi esta a forma de Luís Capoulas Santos responder ao pedido, feito pelo Bloco de Esquerda, de suspensão imediata do concurso de rearborização de eucaliptos. Catarina Martins já veio a público manifestar o seu apoio ao ordenamento florestal, mas contesta que parte do dinheiro seja investido na plantação de eucaliptos. “Não é por acaso que Portugal é o país com mais incêndios da Europa e com uma das maiores áreas ardidas”, lembrou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins aproveitou a apresentação da candidatura autárquica do Bloco em Ovar para salientar a importância de mudar as florestas do país, ação que pode passar pela plantação de outras espécies que não sirvam de combustível no caso de incêndio. Podem ser “menos rentáveis”, refere, “mas são mais seguras e podem proteger as populações”.

Atualmente, e segundo números divulgados pela Quercus, o eucalipto é já a espécie florestal que ocupa a maior área em Portugal, tendo ultrapassado o pinheiro-bravo e o sobreiro. Ocupa agora, nas palavras da associação ambientalista, a “escandalosa área” de cerca de 900 mil hectares.

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