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Pedrógão Grande. Um fogo entre as piores tragédias do país

Pedrógão Grande. Um fogo entre as piores tragédias do país

Diana Tinoco Marta F. Reis 19/06/2017 10:10

O incêndio que deflagrou na tarde de sábado fez 62 vítimas mortais, com as autoridades a suspeitar que este número possa ainda aumentar. Desde que há registos, na história recente do país nunca tinha havido um fogo tão fatídico.

A natureza terá causado este incêndio e foi também ela a precipitar a tragédia mais mortífera de que há memória. Na madrugada de 25 para 26 de novembro de 1967, as cheias na região de Lisboa e concelhos limítrofes fizeram 300 a 700 mortos.

Colapso no Cais Sodré (1963) 

A 28 de maio de 1963, o colapso da cobertura das plataformas da gare do Cais do Sodré, em Lisboa, matou 49 pessoas. De acordo com o “Diário de Lisboa”, os trabalhos de salvamento duraram quatro horas e resgataram 61 feridos, num desastre ímpar na história do país.
O projeto arquitetónico, da autoria de Pardal Monteiro, era composto sobretudo por estruturas de ferro e betão.

Acidente no aeroporto de Faro (1992)  

Foi o acidente aéreo mais trágico no Continente. A 21 de dezembro de 1992, um avião da companhia holandesa Martinair despenhou-se ao tentar aterrar no aeroporto de Faro, causando 56 mortes. As más condições atmosféricas foram a causa apontada para o acidente.

Entre-os-Rios (2001)

No dia 4 de março de 2001, o colapso da ponte que ligava Castelo de Paiva a Entre-os-Rios atirou ao rio um autocarro e dois carros. Morreram 59 pessoas, num acidente que deixou o país perplexo. No autocarro regressava a casa um grupo da terra que tinha ido numa excursão ver as amendoeiras em flor a Foz Côa. Jorge Coelho, então ministro do Equipamento Social, pediu a demissão depois do acidente. No local foi colocada a escultura de um anjo, em homenagem às vítimas.

Pedrógão Grande (2017)

O fogo deflagrou na tarde do último sábado na localidade de Escalos Fundeiros e alastrou com quatro frentes, deixando um rasto de 61 vítimas mortais e vários feridos e desaparecidos. A maioria das vítimas mortais ficaram encurraladas na EN236, quando tentavam fugir às chamas. Foi o incêndio mais mortífero na história do país. Até aqui, a pior memória pertencia a 1966, quando 25 militares perderam a vida no combate a um fogo em Sintra. Em 2003, os fogos em Portalegre e Castelo Branco vitimaram 190 pessoas, destruíram 117 casas e desalojaram 190 pessoas.

Acidente aéreo na Costa da Caparica (1961)

O voo 897 da companhia venezuelana VIASA despenhou-se a 30 de maio de 1961 no mar pouco depois de descolar de Lisboa, vitimando todos os ocupantes. O aeroporto da Portela fora a segunda escala desta viagem que partira de Roma ao final do dia, já tinha parado em Madrid e tinha como destino Caracas. Os destroços e restos mortais das vítimas foram recolhidos ao longo da praia da Fonte da Telha.

Desastre ferroviário de Custoias (1964)  

A 26 de julho de 1964, um acidente na Linha do Litoral Minho deixou um rasto de 90 mortos. Perto da estação de Custoias, que ficaria para sempre ligada à tragédia, uma das carruagens soltou-se e chocou contra um paredão. O descarrilamento deixou mais de cem pessoas feridas.

Acidente aéreo no Funchal (1977)

O voo TAP Portugal 425, que ligava Bruxelas ao Funchal, despenhou-se a 19 de novembro de 1977 na tentativa de aterragem no Aeroporto de Santa Catarina. Foi o único acidente de grandes proporções na história da companhia aérea portuguesa. Morreram 131 pessoas. A chuva intensa que se registou naquela noite foi um dos motivos apontados para o ocorrido. Sobreviveram 33 pessoas.

Acidente aéreo de Santa Maria (1989)   

O maior desastre aéreo em Portugal chocou o país a 8 de fevereiro de 1989. Um Boeing 707 da Independent Air despenhou-se na ilha de Santa Maria, nos Açores, causando a morte de todos os ocupantes. A nave colidiu com o Pico Alto.

Desastre ferroviário de Alcafache (1985)   

Há corpos que nunca foram encontrados, o acidente traumatizou todos os que viviam nas imediações do apeadeiro de Moimenta-Alcafache, no concelho de Mangualde, e ouviram o estrondo do embate das duas composições. O acidente ferroviário mais fatídico da história do país aconteceu pelas 18h37 do dia 11 de setembro de 1985. Estima--se que tenham perdido a vida no local 150 pessoas. Um dos comboios viajava a caminho de Paris, o outro rumo a Coimbra.

Cheias de Lisboa (1967)   

Na madrugada de 26 de novembro de 1967, as cheias causadas em todo o concelho de Lisboa e zonas limítrofes por um nível de precipitação fora do comum causaram mais de 300 mortos, com algumas fontes a apontar para 700 mortes. Mais de mil pessoas de Lisboa, Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira e Alenquer ficaram desalojadas. “Lisboa, por seu turno, ficou irreconhecível.
A Avenida de Ceuta, em Alcântara, esteve submersa, e o mar de lama desceu até à Avenida da Índia”, escreveu o “DN” nos 40 anos da tragédia.

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