14/12/17
 
 
Vítor Rainho 18/06/2017
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Ministra cercada pelo fogo e pela má língua

A Califórnia faz parte, supostamente, do país mais desenvolvido do mundo e está inserida na zona ‘nobre’ da nação. Os EUA têm o exército mais desenvolvido do planeta, os bombeiros devem também ser dos mais bem equipados mas não é por isso que a Califórnia deixa de ser todos os anos fustigada por incêndios dantescos. Em Portugal, com as devidas proporções, todos os anos os fogos tomam conta do país, mas nunca nenhum teve a dimensão daquele que consome ferozmente Pedrógão Grande e arredores.

Até ao momento em que escrevo já há a assinalar 61 mortes, algumas das quais foram atropeladas depois de abandonarem os seus carros, já que não se via um palmo à sua frente. Acontece que, segundo o SOL e o i apuraram, alguns dos condutores dos carros que ficaram no meio do fogo provocado por uma trovoada seca optaram por continuar a marcha e terão atropelado as pessoas que fugiam a pé.

Outras morreram no interior das suas casas ou viaturas. É pois de estranhar que muitos se preocupem, neste momento, a procurar responsáveis pela tragédia. Do que se sabe, a trovoada seca ajudou a abrir várias frentes de incêndio e por melhor que fosse a prevenção de pouco servia. A natureza tem destas surpresas macabras e nenhum ministro ou bombeiro pode ser responsabilizado por isso. Mais à frente deve-se discutir se os bombeiros são os melhores ou não, se o que se lhes paga, um euro à hora, é suficiente para incentivar os melhores a estarem presentes, mas nada disso tem qualquer interesse neste momento. Também se irá discutir por que razão de ano para ano – e o fenómeno não é só de agora – a prevenção não é eficaz. Também os negócios que os incêndios envolvem merecem, uma vez mais, ivestigação.

Se o número avançado de mortos já é assustador, o que se adivinha ainda o será mais. E é difícil imaginar a morte daqueles que foram consumidos pelas chamadas.  

As informações que chegam do local a esta hora, 20.15 horas, dizem-nos que a zona está cercada por diferentes frentes de incêndio, e que entrar ou sair do local é altamente perigoso. As equipas do SOL e do i, há uma hora, foram mesmo aconselhadas a abandonar a zona pois a situação ia piorar. 

E assim foi. Ninguém conseguia sair sem escolta dos bombeiros, embora entretanto a estrada já tenha sido reaberta. Perante este cenário como é possível condenar alguém? Este país é mesmo pequenino e até uma tragédia serve para pedir a cabeça de uma ministra que, convenhamos, não acho que seja a melhor pessoa para o cargo. Mas daí a insinuar que tem alguma responsabilidade nas trágicas mortes é pura maldade. Maldade usada num momento de indescritível dor.

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