27/7/17
 
 
Francisco Simões Rodrigues 02/06/2017
Francisco Simões Rodrigues
Cronista

opiniao@newsplex.pt

“Olha dás-me um autógrafo”

A Figueira da Foz é uma das zonas de Portugal com mais história escrita nas suas ondas. Desde os primeiros passos na modalidade bastante cedo, aos maiores eventos do mundo que já por ali passaram, à onda mais comprida da Europa, ao projecto Cidade Surf defendido como poucos fazem e, claro está, às muitas e boas crónicas de Gonçalo Cadilhe que, certamente com os pés bem assentes em solo figueirense, muito fez sonhar surfistas e viajantes com as suas aventuras à volta do mundo. 

Centrando-me no surf de competição, a relevância dos factos vincados na Figueira é também de tamanha expressão. Em 1996, foi ali que se realizou a primeira etapa portuguesa de sempre a pontuar para a elite do surf mundial já em formato de World Championship Tour (WCT). Curiosamente, foi neste ano também que o primeiro presidente da Associação Nacional de Surfistas, Bruno Charneca, venceu o hoje denominado GOAT (Greatest Of All Time) do Surf. Falo de Kelly Slater, norte-americano, que mesmo com a derrota frente a Charneca, sagrou-se tetra-campeão mundial na Figueira com apenas 24 anos. Há mais curiosidades destes tempos de WCT na Figueira. João Antunes foi o primeiro português a vencer uma bateria na elite do surf mundial, Tiago Pires faz a sua estreia em águas nacionais como convidado em 2000 e, desculpem, mas esta é marcante, o (na altura) pequeno Frederico Morais, com apenas 7 anos, sai-se com um “olha dás-me um autógrafo” frente a Tiago nesse ano. Talvez a primeira vez que ambos se viram um ao outro. 

Este período foi diluído no tempo por via dos acontecimentos do 9/11 em Nova Iorque que ditou o cancelamento da etapa em 2001, seguindo-se um ano sem ondas em 2002, factos que abalaram a estrutura organizativa e ditaram o fim da mesma. Desde então, a praia do Cabedelo recebeu pontualmente uma prova da divisão de qualificação mundial em 2010. Uns anos depois, em 2012, a recém lançada Liga MEO Surf, principal competição do Surf nacional fez também a sua paragem na Figueira da Foz. E por aí ficou ao nível de competições do surf de cariz profissional. 
Com tanta curiosidade histórica, 2017 marca o regresso da Liga MEO Surf às ondas do Cabedelo encerrando um ciclo de 5 anos de ausência da principal competição nacional. Junho é assim o mês em que Tiago Pires volta a vestir uma licra na Figueira da Foz decorridos 17 anos sem o fazer. Hoje é o dia em que João Antunes inaugurará o Allianz Figueira Pro mais de 20 anos depois de deixar escrito o seu nome no livro dos pioneiros do surf português. 

O pequeno Morais tem agora 25 anos, venceu a última prova aqui realizada mas já não compete na Liga Nacional de Surf por nos representar a todos ao mais alto nível no WCT. O experiente Antunes comparece enquanto convidado mas de olhos postos no seu filho, Afonso de 12 anos. O agora mentor Pires chega à Figueira como líder do ranking em ex-áqueo com o seu mentorado Vasco Ribeiro. Ivo Cação é a estrela e esperança local para a vitória. 
Confirma-se. Há muita história que aqui foi escrita. As personagens mudam de objectivos. Os artistas são mais. As ondas e a sua qualidade são as mesmas. E sim, haverá autógrafos dos melhores surfistas nacionais para os “pequenos Morais” dos dias de hoje. Acompanhe tudo em ligameosurf.pt.

Boa sorte a todos que competem no Allianz Figueira Pro 2017 até domingo.

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