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PJ investiga morte de idosa encontrada em arca frigorífica

PJ investiga morte de idosa encontrada em arca frigorífica

Miguel Silva Ana Petronilho e Felícia Cabrita 31/05/2017 07:13

Maria de Lurdes tinha 82 anos. Poderá ter sido colocada na arca viva. Local estava tapado por cobertores e objetos

A arca frigorífica onde foi encontrada, na segunda-feira, uma idosa de 82 anos congelada estava disfarçada, coberta com cobertores e utensílios de cozinha, dando a aparência que não seria usada há algum tempo.

Este indício está a levar a Polícia Judiciária a pôr a hipótese de vingança como a causa do crime macabro. Maria de Lurdes foi encontrada dentro desta arca em sua casa, em Salreu, na zona de Estarreja. Uma das suspeitas da investigação, apurou o i, é que a mulher poderá ter sido colocada na arca ainda viva.

Depois das primeiras averiguações, a PSP e a PJ já sabem que a idosa tinha alguns conflitos com vizinhos, o que reforça a tese de vingança. Além disso, a PJ já averiguou que Maria de Lurdes não tinha posses de grande valor e, numa primeira visita à casa, as autoridades não deram por falta de bens, pondo de parte, à partida, a hipótese de assalto. Fonte próxima do caso disse ainda ao i que não é hábito que, num assalto, os criminosos tenham o tempo ou o cuidado de esconder o corpo num local pouco convencional e de o disfarçar. Por isso, para já, a tese de vingança está a ganhar alguma força.

Também só dentro de alguns dias será possível apurar as causas da morte de Maria de Lurdes, mas as autoridas admitem que pode ter sido por reação vagal, ou seja, medo.

Para já, o corpo da idosa, que foi ontem transportado para o Instituto de Medicina Legal no Porto, ainda se encontra congelado e terá de ser descongelado lentamente, pela exposição à temperatura ambiente, de forma a que não se percam tecidos que possam ser decisivos na autópsia.

Maria de Lurdes trabalhou no mercado de Estarreja durante a maior parte da sua vida, onde vendia legumes. Vivia sozinha numa casa grande e as suas contas eram geridas pelo seu irmão, que esteve emigrado muitos anos nos Estados Unidos.

O alerta do seu desaparecimento foi dado à PSP na passada quinta-feira depois da sua empregada de limpeza ter feito várias chamadas telefónicas sem resposta. A empregada acabou por ir a casa de Maria de Lurdes e viu os estores fechados, o que estranhou por não ser hábito da idosa ter as janelas fechadas durante o dia. Foi então que a empregada deu o alerta ao irmão de Maria de Lurdes – com quem esteve um dia antes (na quarta-feira) – e decidiram comunicar à PSP o seu desparecimento.

Segundo o último balanço da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima sobre violência contra idosos, entre 2013 e 2015 registaram-se 2603 vítimas, a maioria mulheres.

 

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