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Expetativa para melhoria do rating no futuro próximo

Expetativa para melhoria do rating no futuro próximo

João Girão Magalhães Afonso 29/05/2017 14:19

Ministro da Economia falou no Horasis Global Meeting, ocasião de eleição para conseguir atrair investimentos

O ministro da Economia tem a expetativa de que o rating de Portugal melhore “ainda neste ou no próximo ano” e o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação considera que Portugal “ganhou credibilidade” com a saída do procedimento por défice excessivo (PDE), o que, segundo o antigo presidente do Tribunal de Contas, não deve ter uma “leitura triunfalista”.

Ontem, na conferência Horasis Global Meeting – ocasião de eleição para conseguir atrair investimentos –, em Cascais, o responsável pela pasta da Economia salientou que “os números do défice, do crescimento económico e do emprego este ano justificam, naquilo que é a análise normal dos ratings [avaliação], uma revisão”.

Manuel Caldeira Cabral diz que os dados justificam uma revisão, a começar pela perspetiva de evolução, já no segundo semestre, e depois numa revisão em alta, no princípio de 2018.

“Não estamos a pedir nem a defender que nos façam um favor, mas só uma análise justa, e hoje Portugal está em melhor situação, com números muito mais positivos”, acrescentou. O ministro considera haver “algum conservadorismo” das agências de rating na mudança destas avaliações e que “demoram um certo tempo, mas os números já são suficientemente sólidos e os do terceiro trimestre vão confirmar a solidez do crescimento, e serão suficientes para começar o processo de subida do rating, que demorará o seu tempo, mas deverá acontecer”.

 

A questão da dívida

Num almoço-conferência durante o Horasis Global Meeting, Caldeira Cabral foi questionado sobre como Portugal vai lidar com os 130% de dívida pública. “O elemento-chave é controlar a despesa pública e fomentar o crescimento”, respondeu o governante.

“Usar os fundos estruturais para financiar investimentos, imprimir confiança nas pessoas, não reduzindo salários nem pensões, e acelerar a captação de investimento direto estrangeiro” são as três medidas mais importantes para melhorar os indicadores económicos.

Outros eventos Horasis têm sido palco de atração de investimentos e o fundador destes Global Meetings considera que “claramente” há esta possibilidade neste encontro que pela primeira vez se realiza em Portugal. “O que aqui fazemos – tentando facilitar acordos, organizar reuniões, promover o país – fazemos porque Portugal é o novo lugar para o diálogo global. E isso também significa investimento global”, resume Frank-Jürgen Richter ao i.

“Temos cerca de 50 empreendedores bilionários a participar: chineses, europeus, de África, etc. É claro que o investimento vai acontecer, mas não gosto de fazer promessas”, acrescenta. Frank-Jürgen Richter trouxe, no ano passado, o “primeiro grande investidor indiano” para Portugal: uma farmacêutica cujo CEO “se apaixonou pelo país”, conta. “E virão mais”, garante o fundador de um encontro conhecido com “mini-Davos” e que é casado com uma portuguesa.

 

Credibilidade

Ontem, a conferência Horasis Global Meeting foi aberta pelo ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso e encerrada pelo primeiro-ministro, António Costa.

Também ontem, em entrevista à TSF e ao “DN”, o comissário europeu Carlos Moedas considerou que, com a saída do procedimento por défice excessivo, Portugal tem “credibilidade para levantar a voz, para dizermos aquilo que queremos, para avançar com reformas que outros não querem e que para nós são tão importantes”. Moedas considera que isso “é bom para o país no seu todo”.

Já o antigo presidente do Tribunal de Contas Guilherme d’Oliveira Martins defende que não se deve ter uma “leitura triunfalista” da recomendação para a saída de Portugal do procedimento por défice excessivo, momento que classificou como “necessário e justo”.

Segundo o antigo ministro, relativamente à recomendação da Comissão Europeia deve ter--se “uma leitura muito realista”, uma vez que se trata de “uma enorme responsabilidade”.“A saída deve-se fundamentalmente à resposta positiva da economia portuguesa relativa aos estímulos que teve”, referiu o atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.

com Sebastião Bugalho

 

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