28/7/17
 
 
Erasmus para todos

Erasmus para todos

O programa Erasmus é um dos programas com mais sucesso da União Europeia (UE). E agora, queremos que seja aberto a todos.

Se falarmos de política europeia a um grupo de jovens, provavelmente só obteremos olhares vagos ou um mero encolher de ombros. Mas basta mencionarmos o nome Erasmus, o emblemático programa de mobilidade estudantil da UE, para que os rostos desses mesmos jovens se iluminem de imediato.

E com razão. No ano passado, as manchetes dos jornais anunciaram aos quatro ventos que o programa Erasmus tinha gerado um milhão de bebés – todavia se lermos nas entrelinhas vamos perceber que ninguém fez de facto a contagem (e talvez seja melhor assim). Mas este conhecido benefício do maior programa estudantil transfronteiriço do mundo – já esperado ou não –  é apenas um efeito secundário. Antes de mais, o Erasmus é uma das melhores formas de os jovens de hoje ganharem experiências culturais, oportunidades educativas, competências linguísticas, opções profissionais e amizades para a vida.

Não admira que o programa Erasmus seja amplamente reconhecido como uma das maiores histórias de sucesso da UE. E não nos deixemos enganar: um programa com esta escala jamais poderia ter existido sem o quadro sólido de cooperação a nível continental que construímos na União Europeia. O Erasmus, tal como a própria UE, é um feito arduamente conquistado do qual todos nos devemos orgulhar.

Mas tal como o Erasmus precisa da Europa, a Europa também precisa do Erasmus. Os benefícios da participação no programa não se limitam aos participantes individuais. Excluindo os benefícios de caráter mais – digamos – prático, o Erasmus confere um impulso significativo aos horizontes educativos, profissionais e culturais dos jovens –impulso esse absolutamente necessário na Europa atual. Porém, ao mesmo tempo, a Europa ganha cidadãos informados, com um espírito mais aberto e com uma vocação mais internacional. Sejamos francos, será mais difícil uma pessoa votar num político de extrema-direita que pretende fechar as fronteiras ou acabar com a cooperação entre estados, se essa mesma pessoa passou alguns dos melhores anos da sua vida a usufruir precisamente disso. Esta é, aliás, uma das razões pelas quais Umberto Eco considerou que o Erasmus deveria ser obrigatório: através do Erasmus não só construímos jovens melhores, como também construímos uma Europa melhor.

No Partido Socialista Europeu, sabemos reconhecer as coisas boas. E queremos mais. A versão atual, o Erasmus+, é fantástica. Contudo, apesar da elevada procura e constante expansão, a participação ainda está demasiado limitada. Isto tem de mudar. Acreditamos que todos deveriam ter a possibilidade de estudar no estrangeiro, seja no âmbito de um curso superior, curso profissional ou até do ensino secundário.

É por isso que a mensagem “Erasmus para todos” constitui um elemento fundamental do nosso Plano para a Juventude – uma das nossas principais campanhas políticas – e o tema do próximo Dia de Ação Europeu a 19 de maio. E no caso do Erasmus, contamos já com algumas vitórias assinaláveis. Graças à pressão realizada pela nossa família política, a UE tem agora uma meta para a mobilidade estudantil que passa por 20% dos licenciados europeus terem estudado no estrangeiro. O prazo é 2020 e, neste momento, ainda estamos longe deste objetivo.

Por isso, precisamos de aumentar a acessibilidade. É necessário simplificar e tornar mais intuitivos os procedimentos de candidatura. É necessário eliminar os entraves administrativos, sobretudo em matéria de reconhecimento, de forma a garantir que as entidades empregadoras e as instituições de ensino na Europa reconheçam o valor de um período de estudo ou trabalho noutro país.

Muitos dos jovens europeus também se deparam com entraves sociais. Apesar da existência de alguns fundos limitados para as famílias de menores recursos, a participação no programa Erasmus continua a representar um importante investimento, que pode excluir estudantes de quadrantes mais pobres, bem como aqueles que se deparam com outras desvantagens, tais como: deficiência, estatuto social, problemas de saúde ou isolamento geográfico. Atualmente, apenas um em cada dez estudantes Erasmus é oriundo de um grupo desfavorecido, muito embora os participantes deste grupo tenham ainda mais a ganhar com esta experiência do que os que pertencem a grupos mais privilegiados. Isto tem de mudar. Exigimos mais apoio financeiro específico para abrir efetivamente o Erasmus a todos.

E também pretendemos alargar o acesso ao Erasmus noutras duas áreas fundamentais. Em primeiro lugar, queremos reforçar a dimensão do ensino secundário. Os estudantes do secundário, tal como os estudantes universitários, podem beneficiar enormemente das oportunidades culturais, educativas e sociais que um período de estudo no estrangeiro oferece. Em segundo lugar, e igualmente importante, queremos contrariar a ideia de que o Erasmus é um programa para quem segue cursos universitários convencionais. Hoje em dia, menos de 20% dos estudantes Erasmus frequentam cursos profissionais ou estágios. Queremos aumentar drasticamente este número, para que a participação no programa Erasmus possa atravessar as fronteiras educativas, bem como abranger todas as classes sociais e económicas.

O Erasmus não é apenas um meio fundamental para melhorar as vidas e alargar os horizontes dos jovens europeus. É também um programa extremamente bem-sucedido por criar (sim, em mais do que um sentido!) a próxima geração de jovens europeus otimistas e abertos – algo que acreditamos que a Europa precisa mais do que nunca.

E é por isso que o “Erasmus para todos” será o principal tema do nosso Dia de Ação Europeu a 19 de maio. Um dia em que ativistas por toda a Europa irão manifestar-se nas ruas em prol de melhores oportunidades educativas, mas também em defesa dos direitos das crianças, do emprego para os jovens e de um maior acesso às artes e à cultura com um Cheque Cultural Europeu. Junte-se à nossa campanha em www.youthplan.eu!

 

Por Sergei Stanishev, Presidente do Partido Socialista Europeu, e João Albuquerque, Presidente dos Jovens Socialistas Europeus

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