22/11/17
 
 
Francisco Simões Rodrigues 19/05/2017
Francisco Simões Rodrigues
Cronista

opiniao@newsplex.pt

A disciplina no desporto

Filipe Toledo, um dos melhores surfistas do mundo e claro candidato ao título mundial, acaba de ser suspenso pela World Surf League (WSL). 

Após uma situação de competição, a discordância do surfista perante a penalidade aplicada pelo painel de juízes levou a uma reação efusiva, infringindo os regulamentos da WSL. Toledo fica assim impedido de competir na próxima etapa do World Championship Tour, afastando-se um pouco mais da luta pelo título mundial. Podemos também referenciar o caso do norte-americano Bobby Martinez que, em 2011, perante uma sanção disciplinar, decidiu abandonar o tour. Se percorrermos a história do surf de competição, encontraremos mais casos ‘quentes’. Serão estas ocorrências normais e parte do sucesso no desporto?

Um desportista de alta competição vive numa constante missão. Treina muito, está permanentemente em estado de concentração e encontra-se sob uma pressão imensa. A evidente e profunda vontade de vencer dos grandes campeões induz reações instintivas que, por vezes, vão bastante além do razoável, circunstâncias essas onde a emoção fala muito mais alto do que razão.

Do outro lado, estão as instituições e organizações desportivas onde a emoção não é menor. Existe um esforço enorme em nada inferior ao plano de treinos dos atletas. Junta-se uma exigência comercial dos patrocinadores que obriga a um empenho que é permanente. E tudo faz parte da esfera de acontecimentos múltiplos que se desenrolam ao mesmo tempo e que são o culminar de semanas ou meses de trabalho.

Olhemos para os seguidores da modalidade. Na perceção das pessoas, quem é maior: o Cristiano Ronaldo ou a UEFA? Nas boas lembranças da Fórmula 1, de quem os fãs se lembram mais: de Ayrton Senna ou da FIA? Voltando ao surf, quem é mais tema: Toledo e Martinez ou a World Surf League? Respostas simples. O atleta é herói. A instituição nem por isso.

Com certeza que esta realidade traz uma responsabilidade acrescida aos atletas. Para além do compromisso profissional inerente aos contratos de patrocínio individuais, estes desportistas são também referências de vida (para muitos e não apenas para os mais novos). Releve-se que o desporto profissional só pode existir num mundo onde há um respeito rigoroso por quem paga a festa (os patrocinadores), por quem promove a festa (media) e, obviamente, por quem garante e é responsável que essa mesma festa aconteça (as instituições).

No entanto, não podemos afirmar que as ocorrências disciplinares são algo fora do normal. Fazem parte da emoção do desporto. Induzem histórias nos jornais. Alimentam os chats dos fãs. São desejáveis? Não. No final acaba tudo bem? Sim. Com toda a certeza, que as condições de respeito e integridade voltam sempre ao normal.

Não se entenda aqui um incentivo ou um relativizar barato das situações no desporto sujeita à apreciação disciplinar. Antes pelo contrário. Os regulamentos existem para serem cumpridos. No entanto, do lado do desportista, a raça e não anuência perante a derrota são emoções essenciais para termos um desporto amanhã maior do que o de hoje.

 

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