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Surf. “O sucesso começa sempre na tua vontade pessoal”, diz João Guedes

Surf. “O sucesso começa sempre na tua vontade pessoal”, diz João Guedes

Shutterstock Jornal i 04/05/2017 14:51

 Dentro de uma semana, na Praia Internacional, os melhores surfistas portugueses vão estar reunidos durante três dias, entre 12 e 14 de Maio

A contagem decrescente para o Renault Porto Pro, segunda etapa da Liga MEO Surf, já começou. Dentro de uma semana, na Praia Internacional, os melhores surfistas portugueses vão estar reunidos durante três dias, entre 12 e 14 de Maio, para disputar a vitória naquela que é uma das mais celebradas etapas da Liga e uma das que mais caminhos aponta na corrida para o título nacional.
 
Entre as várias dezenas de inscritos, o nome de João Guedes ganha importância. O surfista local de 31 anos, campeão nacional em 2009, vai competir na sua terra de origem, depois de um 9º lugar obtido na primeira etapa da Liga, na Ericeira. Com a veia competitiva a que sempre nos habituou, este homem do Norte só tem um objetivo para o Renault Porto Pro!
 
És a cara do cartaz do Renault Porto Pro e tens sido a cara do surf no Norte desde o início da tua carreira. O que sentes em relação a isto? Incomoda-te?
 
João Guedes - Nada disso, antes pelo contrário: tenho o maior orgulho. O Porto é e será sempre a minha cidade. O facto de a poder representar é das coisas que me dá maior alegria e orgulho.
 
Na tua opinião, o que faz do Porto um lugar especial e uma paragem obrigatória para a Liga?
 
Para além de ser uma das maiores cidades do País, o Porto é uma cidade que movimenta um número grande de surfistas. É uma cidade que tem história no surf e pela qual a Liga sempre passou. Além disto, é uma das etapas que tem mais espectadores. A comunidade do surf também se envolve com o campeonato. Por ser do Porto, conheço as pessoas que estão a assistir e vejo grande parte da comunidade do surf do Norte a assistir ao campeonato e às várias fases da competição.
 
És tido como um dos surfistas mais duros de roer na Liga e que nunca desiste de um heat. Antes de mais, concordas? E o que explica que sejas assim?
 
(Risos) Não sabia disto mas se o dizem, acredito! (Risos) normalmente, quando treino, é a saber que o heat só acaba mesmo quando toca a buzina. Por experiência própria, já vi muitos resultados de heats a mudar nos últimos segundos, seja para meu benefício ou prejuízo. Isto foi algo que me ensinou a acreditar que, até ao final da buzina, tudo é possível. Talvez seja por aqui. Acreditar até ao final.
 
Podes revisitar a 1ª etapa da Liga MEO Surf, na Ericeira, este ano?
 
Regra geral, Ribeira D’Ilhas não é uma onda pela qual eu morra de amores (risos). Mesmo passando muito tempo na Ericeira, não é uma onda à qual vá com regularidade. Primeiro, não faz o meu género de onda e, depois, é uma onda na qual sinto alguma dificuldade. Nesta etapa, ainda por cima, estavam condições algo difíceis, um campo de batalha difícil de gerir. Depois, apanhei um heat com o Saca (Tiago Pires) e o Vasco (Ribeiro) e, na última onda, tive a oportunidade de fazer a nota de que precisava mas acabei por cair na última manobra. Para ser sincero, dadas as condições, estava algo difícil fazer a gestão do heat. Era apanhar uma onda, dar o nosso melhor e ver o que dava no fim.
 
És um surfista que não tem nada a provar a ninguém. O que te leva a continuar a competir na Liga?
 
Para mim, enquanto tiver essa vontade, faz todo o sentido continuar a competir na Liga, sendo um dos principais palcos para libertar a minha veia competitiva. É o nosso circuito de excelência e não tenho sequer em mente deixar de competir. Sobretudo, num momento em que o campeonato está forte, o nível está alto e há 5 etapas!
 
Quais são agora os teus objetivos para o Renault Porto Pro?
 
O objetivo é sempre ganhar! Agora, se consigo ou não, o campeonato logo o dirá (risos).
 
Foi no Porto que te fizeste surfista profissional, um dos poucos que o conseguiu sendo dessa zona do país. Para além do teu talento, como o conseguiste?
 
Confesso que não era fácil. Na altura, o Porto não estava tão evoluído como Lisboa na formação de surfistas profissionais. Tínhamos alguns bons surfistas, de gerações acima da minha, que competiam no circuito nacional e chegaram a tirar bons resultados e posicionamentos nos rankings, mas era complicado dar seguimento à carreira de surfista profissional. Uma das coisas que fiz, durante toda a minha evolução enquanto surfista, foi ir para a Grande Lisboa muitas vezes, porque era o centro do surf nacional. Para além da variedade de ondas que há e, até mais do que isto, ver um maior número surfistas melhores, também ajudou. Acredito que tudo isto, na altura, ajudou a integrar-me.
 
São esses os conselhos que darias aos mais novos que estão então a aparecer?
 
Hoje em dia, já há uma estrutura mais sólida de apoios e possibilidades para os surfistas do Porto, que na altura, quando comecei, não havia. Há mais escolas e treinadores para acompanhar os mais novos e marcas a quererem apoiar e patrocinar. Em relação a sair do Porto, acho que é um bocadinho geral: seja em que desporto for, se uma pessoa fica muito fechada no seu local natal, acaba por ter uma evolução mais limitada. Sair é sempre muito positivo, seja para Sul, Norte ou lá fora. Muitas vezes, sair é o que nos faz evoluir. Ver outros surfistas, surfar noutras ondas, treinar com outro tipo de pessoal. É o que puxa por nós. Ainda assim, o sucesso depende e começa sempre na tua vontade pessoal. Temos de ter a vontade, de querer, e de trabalhar para isso, o que não é fácil. Com estas coisas, o resto vai atrás e por consequência. Claro que o jeito e talento são importantes, mas há exemplos de vários surfistas que até isso trabalharam e foram surfistas de sucesso. A força de vontade é o que fala mais alto!

 

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