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Fátima e papado: o recado do céu

Fátima e papado: o recado do céu

Edgar Clara 21/04/2017 16:20

A canonização dos pastorinhos de Fátima – Francisco e Jacinta – mostra bem a ligação da mensagem de Fátima aos Papas. Tal como João Paulo II, no ano 2000, veio a Portugal beatificar os dois irmãos, Francisco vem agora a Fátima no centenário e preside à sua canonização. Os Papas estão profundamente ligados a esta mensagem, a esta profecia que se vai cumprindo na Igreja.

Durante o Jubileu, João Paulo ii apenas saiu de Roma para duas viagens: Terra Santa e Fátima. O Papa via cumprida toda a profecia não apenas na sua vida, mas na história do séc. xx. Quis revelar o conteúdo da terceira parte do segredo no virar do milénio para que a história de violência e de perseguição ficasse “enterrada” no séc. xx. Bento xvi, quando veio a Portugal, disse aos jornalistas que “os ataques ao Papa e à Igreja não vêm só de fora, os sofrimentos da Igreja vêm do seu próprio interior, do pecado que existe na Igreja”. E considera, assim, que o próprio segredo continua a realizar-se na vida da Igreja e do mundo. Mas qual é o núcleo da mensagem? “A terceira parte do segredo refere-se às palavras de Nossa Senhora: ‘Se não, [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas’.” (13-vii-1917). Estes mesmos pastorinhos, que eram analfabetos, que nem sabiam “quem” era a Rússia, tiveram uma importância ímpar na história da Igreja, do papado e da política do século xx.

Podem alguns referir que, afinal, Fátima não é um dogma – o que é verdade, porque não pertence ao Depósito da Fé. Podem também dizer que não há evidências científicas objetivas. Podem ainda dizer que não se possa falar de aparição ou de visão. De facto, não se pode provar uma experiência destes três pastorinhos e o que Deus revelou à alma das crianças. Mas há factos objetivos e claros na própria mensagem e na própria aparição que podem ser analisados. O milagre do sol, por exemplo! As mais de 50 mil pessoas que estavam no local viram objetivamente as mesmas coisas. Vamos considerá-lo de forma subjetiva só porque o sol não “dança” todos os dias? E se lermos realmente toda a mensagem de Fátima, mesmo que seja apenas o texto que citamos neste nosso artigo: não está contida na mensagem e neste parágrafo que citámos toda a história das perseguições dos regimes ateus contra a Igreja e contra o papado? Não se pode dizer que a própria mensagem tem dados objetivos que demonstram a própria verdade das aparições e da mensagem que os pastorinhos receberam?

Em todo o caso, nós vemos como as crianças foram cercadas de todos os lados para negarem que a “Senhora” lhes tinha aparecido. A primeira a perseguir os pastorinhos foi exatamente a mãe de Lúcia, que violentamente a corrigia e lhe dizia que estava a mentir. Um outro acontecimento ainda mais forte deu-se em agosto de 1917, quando o administrador do concelho de Vila Nova de Ourém prendeu as crianças e ameaçou que os iriam matar se não confessassem que era mentira. A tudo isto, as crianças resistiram sempre com objetividade e verdade. Vale a pena, por ocasião desta canonização, que se leiam os escritos e a inúmera documentação crítica sobre Fátima para se formar uma opinião clara sobre esta mensagem, sobre a sua centralidade na Igreja e no mundo, e como uns pastorinhos tão simples nos deixaram recados que, acima de tudo, são recados do céu para nos convertermos.

 

Pároco da Mouraria e consultor editorial da revista, “O Meu Papa”

 

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