16/10/17
 
 
Francisco Simões Rodrigues 21/04/2017
Francisco Simões Rodrigues
Cronista

opiniao@newsplex.pt

Quanto vale o 5.º lugar de Frederico Morais?

“É inacreditável poder ser português e estar no World Tour (WCT). Ter um português no WCT novamente, e ser eu a representar o meu país ao mais alto nível no surf mundial, é incrível! Não tenho palavras.” As declarações são de Frederico Morais, à margem de mais uma vitória no seu caminho rumo ao 5.o lugar no Rip Curl Pro Bells Beach, 3.a etapa do circuito mundial de surf (WCT). 

Quanto vale este resultado desportivo? Comecemos por ele próprio. Acima de tudo, Frederico viveu e corporizou o “à terceira é de vez”. É o seu primeiro ano como residente na divisão de elite do surf mundial e, nas duas etapas antes de Bells Beach, observava-se mais capacidade do que feitos, mais compromisso do que longevidade em competição, grandes prestações e parcos resultados. Uma coisa era certa e fundamental: o nível de surf estava lá. Era apenas uma questão de continuar a trabalhar e esperar por um desfecho melhor. E foi em Bells Beach. Para Frederico, é apenas mais uma meta ultrapassada. Reforço o “apenas”. Isto porque, conhecendo a sua determinação, ele não quer mais, pensar assim seria emocional.

Racionalmente falando, sabe-se bem que ele vai trabalhar para muito mais. E vai conseguir. Para a vasta comunidade de portugueses que são fãs incondicionais de Frederico, o 5.o lugar valeu umas belas noites a dormir pouco e mal. Pouco, porque, por força da diferença horária para a Austrália, as transmissões começaram tarde e Frederico competiu muitas vezes pela madrugada fora. Mal, porque a mistura de inquietação e ansiedade por ver o nosso português a brilhar eram imensas.

E para Portugal? Mais um jackpot para a notoriedade do país enquanto destino de surf. Cada etapa da divisão de elite da World Surf League tem um retorno media de referência na ordem dos 30 milhões de euros, é seguida por cerca de 3 milhões de espetadores, os quais se espalham por uma mancha geográfica que abarca mais de 20 países. Por cada eliminatória que Frederico passou, a legitimidade de Portugal como nação de surf foi crescendo exponencialmente. A referência às nossas ondas, as inúmeras comparações com a qualidade portuguesa ou até mesmo a água fria foram tema.

Perante um campeonato inteiro onde Bells Beach esteve com ondas ao nível dos melhores sonhos, Frederico ajudou. E foi enorme. “It feels like home!” Quanto vale esta resposta, em direto, para o mundo inteiro? Tenho defendido nos mais variados fóruns que, mesmo com esforços concentrados em eventos, campanhas e variados tipos de agentes na promoção de Portugal, não devemos esquecer-nos do essencial: os surfistas portugueses. São eles os naturais embaixadores do nosso país. São eles que vendem os nossos valores, cultura, qualidades e capacidades por esse mundo fora. São eles que nos referenciam globalmente.

Frederico tem as suas raízes num país pequeno mas, ele mesmo, é um desportista sólido e grande. Voltando às palavras de Frederico, inacreditável é a sua capacidade de nos fazer dormir mal e pouco. Incrível é a sua tarefa com todo o país às costas. Nós também não temos palavras para a honra que foi acompanhar a sua prestação na mais antiga prova do surf mundial. E que honra! Venha a próxima. Boa sorte!

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