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Melina Ferreira:“Não se esqueçam que nós também somos portugueses”

Melina Ferreira:“Não se esqueçam que nós também somos portugueses”

Magalhães Afonso 21/04/2017 07:12

Situação política e social na Venezuela pode resvalar para uma guerra civil. A comunidade portuguesa no país da América do Sul está apreensiva em relação ao futuro

A comunidade portuguesa na Venezuela olha com angústia e ceticismo para evolução do país.

“Olho muito mal para a situação. Aquilo vai terminar numa guerra civil”, diz ao i Melina Ferreira, que deixou o país da América do Sul no ano passado. “Acho que pode haver. As pessoas já estão muito agressivas. Não tanto de uma parte, mais da outra parte”, corrobora Alberto de Viveiros, diretor e presidente da Associação de Luso Descendentes da Venezuela em conversa telefónica desde Caracas com o i.

“Incrivelmente ainda há gente que apoia a o governo. E quem apoia o governo tem acesso a armas” elucida Melina Ferreira. As “condições estão prontas para uma guerra civil”, sentencia a comerciante de 40 anos.

Melina deixou a Venezuela e foi para a Madeira devido ao “problema político, de insegurança, de delinquência”. Com 40 anos, conta que “já tinha sido atacada muitas vezes” e que “era complicado ser dona de algum negócio”. A comerciante diz ainda que não tinha “aceso à comida com normalidade”, uma vez que tinha de “pagar muito mais caro. Todo o dinheiro era só para comer”.

Principais problemas

Além da insegurança e da alimentação, a falta de condições médicas é apontada como o outro principal problema da Venezuela.

“A verdade é que a insegurança aqui cada vez é pior. Outro problema é a alimentação que quase não há. As pessoas fazem muita fila para conseguir comer e nunca chega para todos. E outro problema muito grave aqui é a saúde. É má, má, má”. resume Alberto de Viveiros.

São estas as razões que têm levado milhares de pessoas a protestar nas ruas contra o que dizem ser uma rotura do regime constitucional, a pedir o fim da “ditadura” e a convocação de eleições. Aos manifestantes juntaram-se também portugueses.

Segundo Alberto de Viveiros, a comunidade portuguesa, que “sempre foi unida, mas agora está mais do que nunca” está a participar nessas chamadas que estão fazer de “ir para as ruas”. O responsável diz que se “espera de que isto aperte um pouco mais” e “se em algum momento for chamado inclusive para fechar os negócios e fazer uma greve geral em toda a Venezuela” a comunidade portuguesa “vai apoiar”. Alberto de Viveiros não acredita “que vá haver diálogo” e que “definitivamente o governo que está aqui atualmente, e que está há 20 anos, já não se importa por nós”.

 

há dinheiro, há poder Melina Ferreira também considera que a “situação é complicada” e “não há portugueses – que têm sofrido muito – “a apoiar o governo”.

Ainda assim, uma queda do governo será complicada, porque, diz, “enquanto a Venezuela tiver dinheiro o governo vai ficar no poder”. E a Venezuela é dos países com mais reservas de petróleo do mundo.

“Na nossa comunidade os jovens estão a ir embora”, revela Alberto de Viveiros. Os mais velhos “ficam, já que aqui têm uma vida”. No entanto, diz Melina Ferreira, “em caso de guerra civil os portugueses vão ter de sair. Vão ter de olhar ao longe”.

Nessa altura, pede Alberto de Viveiro, “lembrem-se que aqui há uma comunidade portuguesa muito grande e que nós também somos portugueses”.

 

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