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Carlos Carreiras 12/04/2017
Carlos Carreiras

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Portugal pode mais: roteiros para o crescimento

Portugal não aguenta mais burrices e politiquices. Mãos à obra porque amanhã já é tarde para sermos inteligentes

Há quem esteja feliz da vida com o estado de coisas no país. Eu não estou. Os últimos tempos têm sido mais do mesmo. Crescimento anémico, engorda da dívida pública, carga fiscal asfixiante, pouco emprego e pouco qualificado, salários baixos, muita burocracia, muitos entraves à iniciativa privada e um Estado social em declínio. Resultado? Portugal continua a afastar-se dos seus pares e é hoje das nações mais pobres no clube europeu. E os portugueses são fiscalmente escravizados em nome de um Estado que, em vez de ter como prioridade o combate à pobreza, vive para anular a criação de riqueza. Ontem, a OCDE divulgou dados que mostram que mais de 40% do rendimento anual dos portugueses ficam no fisco e na Segurança Social. Dito de outro modo: em mais de 150 dos 365 dias do ano, os portugueses trabalham exclusivamente para o Estado. Depois de ler isto, o leitor não partilhará do diagnóstico cor-de-rosa de quem nos governa cá dentro e lá fora.

Os tempos não estão para brincadeiras. Vivemos um período de uma ou outra aberta envergonhada entre previsões de tempestade e ameaças de calamidades. É insuportável a ideia de voltar a viver entre ciclos políticos de despesismo e austeridade. Tem sido sempre assim: uns governam para gastar, deixando a casa de pantanas; aos outros, sem margem de manobra política, só lhes sobra a política de aperto do cinto. Portugal pode e tem de ser mais do que isto.

A responsabilidade e a prudência recomendariam que, em vez da glorificação coletiva por resultados “poucochinhos”, os principais partidos do regime se entendessem de uma vez por todas sobre os caminhos sustentáveis para o futuro.

Dentro de seis meses temos eleições autárquicas. Estamos a falar de 308 eleições locais no maior exercício de democracia neste país. Ora aqui está uma bela oportunidade para começar a fazer as coisas bem feitas, do local para o nacional. O PSD já começou a fazer esse percurso de políticas públicas inovadoras, positivas, capazes de mobilizar os cidadãos e de abrir novos caminhos de prosperidade coletiva e individual. Por isso o digo, o PSD é o partido mais preparado para vencer autárquicas.

O PSD é o primeiro, e até ao momento único, partido nacional a incluir preocupações com a sustentabilidade, a aposta em modelos de democracia participativa e colaborativa e as smart cities como eixo estratégico comum a todas as propostas programáticas nos 308 municípios em que se apresenta a eleições. Isto deve-se sobretudo a três razões.

A primeira razão tem a ver com um reconhecimento: ainda que o poder local seja a maior conquista de Abril, fizemos muitas cidades estúpidas no país. Cidades de costas voltadas para as pessoas que anularam os espaços de confluência social e mataram os laços comunitários. Há uma nova geração de autarcas pronta a corrigir isso. A ideia de cidade inteligente oferece-nos a oportunidade de voltar aos princípios essenciais na gestão da pólis – a pessoa no centro – com a vantagem de termos a tecnologia do nosso lado. Podemos fazer coisas que nunca foram feitas antes: na proteção dos recursos ambientais; na defesa do Estado social local (educação, saúde e direitos sociais); na gestão dos dinheiros públicos; na proteção da liberdade e do conhecimento; na criação de modelos económicos sustentáveis; na defesa da família; e na criação de redes de responsabilidade partilhada pelos cidadãos mais frágeis da nossa sociedade. Tudo isto são princípios intemporais de boa gestão. A diferença, de ontem para hoje, é que podemos fazer tudo isto muito melhor porque temos automação, inteligência artificial e a internet das coisas.

Isto leva-me precisamente à segunda razão: o desafio de colocar a tecnologia ao serviço das pessoas. A ideia de smart city não pode ser só um negócio. O progresso tecnológico tem de facilitar a vida às pessoas. Tem de criar valor quantitativo (económico) e qualitativo (moral). A tecnologia tem de ser personalista. E, nesse sentido, o que é a cidade inteligente? É a que potencia a participação cidadã, a transparência e fiscalização dos poderes públicos e a ultrapassagem da burocracia. É a cidade que protege, cria e estimula as redes informais de cidadãos e instituições da sociedade civil. É a cidade que cria estruturas para cuidar dos mais velhos e gera condições para que as famílias cresçam e se sintam felizes. É a cidade que pensa espaços urbanos para que as gerações se cruzem, os estrangeiros se integrem e os estilos de vida saudável possam florescer. Smart é a cidade que aposta na mobilidade suave e na sustentabilidade ambiental e democrática em tudo o que planeia. E que atrai conhecimento, fixa talento, ensina e educa ao longo da vida e fomenta o empreendedorismo.

A terceira razão e última razão: as cidades são o centro da iniciativa económica, cultural e social do século xxi. Porque é nas cidades que estão mais pessoas, que estão as universidades, as empresas e a iniciativa económica; porque são as cidades que lideram a integração de migrantes ou o combate às alterações climáticas; porque a forma como a cidade evoluiu é decisiva para o futuro do Estado. Por tudo isto, acredito que se os partidos abraçarem este modelo de desenvolvimento, seremos capazes de inaugurar um amplo movimento de reforma do país e de valorização das pessoas.

Portugal não aguenta mais burrices e politiquices. Mãos à obra, porque amanhã já é tarde para sermos inteligentes.

 

Escreve à quarta-feira

 

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