27/7/17
 
 
Tremor Todo Terreno. Pelo trilho encantado de Jacco Gardner

Tremor Todo Terreno. Pelo trilho encantado de Jacco Gardner

Mergulhámos na floresta ao som de uma banda sonora composta pelo músico holandês e fomos dar com ele à Janela do Inferno, para um pequeno concerto e uma conversa.

Vamos às cegas, sem saber o destino, num carro que parte para Leste de Ponta Delgada e há de nos deixar numa pradaria nas redondezas da Lagoa, em São Miguel. Tudo a postos para o início de uma caminhada de 40 minutos, pelo menos é essa a duração da banda sonora que de manhã tínhamos recebido por email, composta pelo holandês Jacco Gardner especialmente para este trilho que por túneis e pontes tomadas pela vegetação nos levará à floresta mais densa. Caminhamos para a Janela do Inferno, havemos de descobrir, para uma experiência contemplativa em que no final daremos com Jacco Gardner num pequeno concerto intimista — ou a eletrónica possível num lugar onde não chega a eletricidade.

Como foi o processo de criação da banda sonora para este lugar?

Chegámos há uns cinco dias e fizemos os percursos para explorar um bocadinho e conhecer os locais. Filmei algumas coisas, tirei fotografias e depois trabalhei sobretudo no apartamento em que estamos a ficar, onde tenho os instrumentos, pus-me a trabalhar na música, a experimentar coisas, depois regressei aos locais para experimentar o que tinha feito e fazer algumas alterações até à versão final que as pessoas ouvem pelo caminho e depois trabalhei nesta pequena performance que apresentámos hoje. Era suposto termos usado mais alguns instrumentos mas a eletricidade é muito limitada aqui e se ligássemos a mesa de mistura ficávamos sem som, então tivemos que improvisar um bocadinho aqui. 

É a tua primeira vez nos Açores? O que tiraste desta experiência?

Sim, é a primeira. A primeira vez que vim aqui [à Janela do Inferno] estava muito nevoeiro e gostei muito da forma como isso envolvia a vegetação. Só isso já era muito inspirador mas para poder acrescentar uma nova camada da minha realidade a isso, porque mesmo sem música um passeio por aqui já consegue ser uma experiência psicadélica em si, mas ter a oportunidade de acrescentar a isso a minha música foi maravilhoso. Ouvir os sons que achei que se enquadravam neste ambiente e testá-los foi espantoso e aprendi bastante com isso.

Este tipo de experiência pode ser uma inspiração para trabalhos futuros?

Na verdade já andava interessado em compor para espaços, naturais ou urbanos, quando me convidaram para isto era uma coisa na qual já andava a pensar. Foi uma coincidência e de repente estava a fazer o que queria fazer num lugar incrível como este. Mas já estava a pensar em fazer isto e tenciono continuar, sim.

As jornalistas viajaram aos Açores a convite do Festival Tremor com apoio da Sata

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