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Escola de música de Rabo de Peixe. "Formamos músicos mas isso não é o mais importante"
O concerto de abertura do Tremor, pelas crianças de Rabo de Peixe

Escola de música de Rabo de Peixe. "Formamos músicos mas isso não é o mais importante"

O concerto de abertura do Tremor, pelas crianças de Rabo de Peixe Diana Tinoco Cláudia Sobral 06/04/2017 14:43

Rodrigo Reis pode até ter o sotaque mas não nasceu aqui. De Macedo de Cavaleiros, chegou à sorte e às cegas a Rabo de Peixe na viragem do milénio para dar aulas de Educação Musical no ensino básico. Depois veio a EsMusica.RP, a escola de música para as crianças de Rabo de Peixe convidada para a abertura da quarta edição do Tremor (até sábado em São Miguel), veio o apego à calma de se viver numa ilha. Rodrigo Reis, fundador e diretor da escola, já não volta. Rabo de Peixe pode já não ser a freguesia mais pobre da União Europeia mas continua a haver muito que fazer por aqui.

Como surgiu a escola EsMusica.RP?

A escola nasceu em 2001 como um projeto de intervençao específica por parte do governo regional na vila de Rabo de Peixe. No início eram 20 e poucos alunos e estávamos mais direcionados para a orquestração clássica, depois decidimos redirecionar a escola para uma vertente mais de jazz e de improvisação e hoje já são cerca de 160 alunos.

O que o fez vir de Macedo de Cavaleiros para Rabo de Peixe? 

Em 1998 a 1999 os Açores não eram mutio falados, como Trás-os-Montes não era. Concorri quase à sorte, não conhecia praticamente nada de Rabo de Peixe nem dos Açores e quando cheguei fiquei um pouco assustado, a adaptação nao foi facil. Pela língua, pela parte cultural… 

Como é o seu trabalho com a comunidade? 

No início a escola não teve logo este impacto na comunidade. O maior impacto foi quando começámos a dar concertos nas ruas. Em vez de ensaiarmos na nossa escola passámos a ensaiar entre a comunidade para criar uma ligação e com o tempo as pessoas começaram a ver-nos como uma mais-valia para ocupação de tempos livres e para formar cidadãos mais felizes. Quando saíamos acabávamos por dar boa imagem da vila. Tocávamos nas melhores salas, não era normal um grupo de Rabo de Peixe apresentar-se no Teatro Micaelense, a melhor sala da ilha, ou no Coliseu. Como é que estas crianças conseguem fazer uma coisa destas? Todas conseguem. E em palco podem ser mais felizes.

O que é que a escola mudou na vida destas crianças?

É uma comunidade que se habituou a viver assim e dificilmente vai deixar. Compete-nos a nós ajudar a dar-lhes a a oportunidade de pensar num objetivo para o futuro. Formamos músicos mas essa não é a parte mais importante.

As jornalistas viajaram para os Açores a convite do Festival Tremor com apoio da Sata

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