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Ultrapassagens (ou a falta delas) exasperam pilotos antes das novas regras

Ultrapassagens (ou a falta delas) exasperam pilotos antes das novas regras

AFP Bruno Venâncio 29/03/2017 19:33

Os carros mais largos geram uma turbulência que não permite a aproximação da ultrapassagem, dizem os artistas

A nova temporada na Fórmula 1 trouxe de volta a emoção e a adrenalina das pistas... mas também um lamento antigo dos pilotos: a imensa dificuldade em fazer ultrapassagens – afinal de contas, aquilo que sempre entusiasmou o público. No entender dos pilotos, o problema está na largura exagerada dos carros, geradora de uma turbulência que não permite a aproximação da ultrapassagem.

“Ultrapassar? Fi-lo logo no início, mas durante o resto da corrida é muito difícil”, atirou o brasileiro Felipe Massa, da Williams, findo o Grande Prémio da Austrália, no qual terminou em sexto – após largar do sétimo posto. O próprio vencedor da prova, Sebastian Vettel, corroborou as palavras de Massa. “Já nos anos anteriores era difícil ultrapassar, sendo necessário dar um segundo ou pouco mais de diferença para o carro da frente, devido à turbulência que afetava a aerodinâmica de quem vinha atrás e que perdia aderência. Agora os carros são mais largos e o efeito da turbulência é maior, sendo necessário dar dois segundos, ou dois e meio”, explicou o alemão

Este ano, os novos Fórmula 1 até são mais rápidos, mas as mudanças de regulamento não permitem maiores veleidades aos pilotos. “Eu e Hulkenberg éramos bem mais rápidos que o Fernando Alonso, mas não nos podíamos aproximar...”, criticou Esteban Oncon, da Force India. E nem Lewis Hamilton deu tréguas: “Infelizmente, é mais difícil do que nunca andar perto dos outros carros, o que é pena.” Ao britânico, foram também as mudanças aerodinâmicas a traí-lo: o seu Mercedes andou demasiado tempo atrás do Red Bull de Max Verstappen, dando todo o espaço do mundo para o Ferrari de Sebastian Vettel se isolar até à vitória final.

DRS é “como um penso” Para tentar apaziguar os ânimos, a FIA vai alargar os períodos de funcionamento do vulgarmente designado DRS (sistema de redução de arrasto). Trata-se de uma tecnologia, aplicada desde 2011, que permite mudar a asa traseira e aumentar a velocidade, sendo acionada pelo piloto no momento da ultrapassagem. Embora só possa ser utilizado em zonas e ocasiões determinadas pelos regulamentos, o DRS permitiu que cinco das últimas seis épocas fossem as de maior número de ultrapassagens na Fórmula 1, depois de 15 anos com menos de 20 por corrida (de 1995 a 2009). Mas esta medida não chega para travar o ceticismo dos pilotos. “É como colocar uma espécie de penso em mudanças erradas nos regulamentos sobre o desenho dos carros”, queixou-se Lewis Hamilton.

Ainda assim, nem todos estão pessimistas. No entender de Christian Horner, da Red Bull, o problema estava no recinto: “Melbourne é mau para ultrapassar, esperemos por China e Barém.” Já Andrew Green, da Force India, partilha outra ideia igualmente otimista. “Agora os pneus não se estragam estando atrás de outro carro. Eles podem atacar as vezes que quiserem. Estou otimista”, atirou. Agora, é esperar para ver o que os próximos Grandes Prémios reservam.

 

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