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Chemsex. Em Espanha já há uma consulta psicológica para ajudar quem toma drogas para ter sexo

Chemsex. Em Espanha já há uma consulta psicológica para ajudar quem toma drogas para ter sexo

Marta F. Reis 29/03/2017 11:10

Comportamento de risco foi associado pela DGS a aumento de casos de hepatite A. Lá fora, começam a surgir respostas

No mesmo dia em que a Direção Geral da Saúde reconheceu que o fenómeno do uso de drogas para ter sexo, conhecido por chemsex, pode estar ligado ao aumento dos casos de hepatite A em Lisboa, em Espanha foi notícia um passo em frente no combate a este problema. Na Catalunha, o centro comunitário onde se faz a maioria dos testes de VIH entre homens que têm sexo com homens, anunciou a abertura de uma consulta psicológica para apoiar pessoas com este comportamento. “Algumas pessoas começam a acenar e a reconhecer que têm problemas com o chemsex”, disse Ferran Pujol, responsável do centro Bcn Checkpoint, citado pelo "El País".

Nos últimos meses foram várias as chamadas de atenção internacionais para o risco de o chemsex poder levar a um aumento dos casos de VIH e hepatite, como agora parece estar a verificar-se em particular na região de Lisboa. Desde janeiro foram detetados mais de 105 casos de hepatite A, mais do que em todo o ano passado. Segundo a DGS, entre fevereiro de 2016 e fevereiro de 2017, foram reportados três clusters envolvendo 287 casos confirmados de hepatite A em 13 países da UE, incluindo Portugal. A quase totalidade dos casos ocorreu entre HSH, sendo o contacto sexual o principal modo de transmissão.

Drogas libertam... de mais
Em causa está o uso de drogas como metanfetaminas, mefedrona, MDMA ou GHB, que causam uma inibição dos comportamentos sexuais e estão associados a mais comportamentos de risco como não usar o preservativo.
O primeiro aviso da comunidade médica surgiu em 2015, com um artigo publicado no "British Medical Journal" com o título “o que é o chemsex e porque é que isso importa”.

Na altura, um inquérito a 1142 homens que têm sexo com homens em  Lambeth e Lewisham revelou que um quinto tinha praticado chemsex nos últimos cinco anos e um décimo nas últimas quatro semanas, sugerindo que se trata de um fenómeno de uma minoria. Porém, alertava-se para a necessidade de acompanhamento destes casos como prioridade de saúde pública, dado serem a “tempestade perfeita” para a transmissão quer do VIH quer dos vírus de hepatite.

A chamada profilaxia de pré-exposição ao vírus da sida - a toma antecipada de antirretrovirais para prevenir a infeção com o VIH (estratégia que ainda não é comparticipada em Portugal mas é seguida por alguns homens que têm sexo com homens) - é encarada como uma forma de reforçar a proteção também nos episódios de chemsex. Porém, a chamada pílula do VIH não evitará outras infeções sexualmente transmissíveis ou a transmissão de hepatite A, cujo principal modo de transmissão é através de ingestão de alimentos ou água contaminados ou por contacto pessoa a pessoa, sendo que a exposição sexual tem sido descrita nomeadamente em surtos no grupo dos em homens que fazem sexo com homens (HSH).
As novas orientações da Direção-Geral da Saúde alertam que não existe tratamento específico para a infeção por hepatite A. “A ingestão de álcool é totalmente desaconselhada e os fármacos com metabolização hepática ou que possam ser hepatotóxicos, devem ser utilizados com precaução”. Deve ser reforçada a higiene e, caso a pessoa não esteja vacinada, deve receber a receber profilaxia pós-exposição o mais precocemente possível e no prazo máximo de duas semanas após a exposição. Assim, se teve comportamentos de risco, deve procurar o médico.

A moda de não usar preservativo

Esta manhã, ouvido pela TSF, o Presidente da Opus Gay, António Serzedelo, alertou para outro comportamento de risco: a prática do sexo sem proteção, na gíria "bareback sex". Tanto no caso do chemsex como do bareback sex, nas redes sociais e sites que promovem encontros existem perfis com estas duas referências. Serzedelo aponta como uma das causas para esta moda o facto de, nos últimos anos, ter havido diferentes promessas de que a cura do VIH estaria para breve, o que fez baixar a guarda. O dirigente deixa também uma sugestão: ser proibido apresentar esta informação nos perfis.

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