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Gianni Infantino: "É difícil Portugal organizar sozinho um Mundial"

Gianni Infantino: "É difícil Portugal organizar sozinho um Mundial"

Bruno Venâncio 24/03/2017 16:53

O presidente da FIFA abordou inúmeras questões no último dia do Football Talks, que decorreu esta semana no Estoril

No último dia do Football Talks, que decorreu durante esta semana no auditório do Centro de Congressos do Estoril, teve a palavra o presidente da FIFA, Gianni Infantino. O dirigente abordou vários assuntos, entre os quais a possibilidade de Portugal vir um dia a organizar um Mundial - algo que Infantino vê como "difícil"... se for sozinho, ainda para mais com a proposta de alargamento da prova para 48 países. "Por isso abrimos as portas à co-organização, até para que os estádios possam ser usados", acrescentou.

Lembrando que a segurança no Mundial 2018 é da responsabilidade da Federação anfitriã e do seu Governo - no caso, a Rússia -, Gianni Infantino foi ainda questionado sobre as diferenças entre... Cristiano Ronaldo e Messi. "Têm um estilo diferente, num ano um está melhor e no seguinte está o outro. Oficialmente, este ano, Ronaldo foi considerado o melhor", referiu apenas.

Em jeito de conclusão, Infantino fez ainda uma longa reflexão sobre a necessidade da FIFA ser completamente transparente, ao contrário do que aconteceu com o seu antecessor, Joseph Blatter. E deu exemplos concretos. "Nunca mais haverá nos relatórios da FIFA uma linha a dizer 'outros custos' e depois estão lá 70 ou 80 milhões. Tudo será explicado! A partir de agora, vamos publicar os salários reais. Os salários reais! Falamos em transparência, mas temos de a viver", realçou, continuando: "Limitámos mandatos, porque a FIFA não pertence ao seu presidente, nem ao Conselho, pertence ao futebol. Adicionámos um novo papel, que é o Conselho FIFA. Não gere, não está no dia a dia, não interfere nas decisões de gestão, mas supervisiona. E introduzimos membros independentes aos comités, que têm agora 50 por cento de independentes. Independente significa que não são amigos do presidente ou do Conselho, não têm relação. A ideia é ter uma visão externa. Obviamente, estão a trabalhar para o bem da FIFA, mas sem ligações. Outra coisa: agora, já há concursos para a aquisição de direitos, de TV ou comerciais. Assim, ganha quem fizer a melhor oferta, quem apresentar as melhores condições, seja conhecido do presidente, do conselho ou não. Não havia uma política clara sobre isto!"

Infantino explicou também que a FIFA vai ter "mais controlo na organização do Mundial", apontando o dedo a anteriores direções. "Não vamos fazer como antes, em que se metia 500, 600 ou 700 milhões num envelope e dava-se à organização e ninguém sabia o que se fazia ou era necessário na organização do mundial. Estamos a olhar para um modelo futuro e estamos já a trabalhar com os russos para 2018 e com os cataris para 2022. Temos de ser donos das nossas provas", salientou, antes de chegar ao que considerou o "ponto fundamental". "Sempre disse que se houvesse transparência financeira, se resolva 95 por cento dos problemas da FIFA. Dentro de dois meses será conhecido o relatório e contas, que já contempla um novo modo de contabilidade. Estas novas normas entram em vigor em 2018, mas nós antecipámos. Nós não temos de criar receitas para dizer que os nossos relatórios são bons. Não precisamos disso", asseverou, revelando, por exemplo, que o perfil de quem entra no organismo também é verificado: "São análises de elegibilidade ou integridade, o sr. [Pierluigi] Collina, por exemplo, que falou aqui antes de mim, teve de passar por essa verificação para ser eleito para um cargo."

A partir de agora, as 211 federações que formam a FIFA vão receber mais dinheiro. "Aumentámos de 1.6 milhões de dólares em quatro anos, para cinco milhões no mesmo período o dinheiro que entregamos a cada associação. E fizemos isto com as mesmas receitas", garantiu Infantino, deixando no ar a ideia de que antes, o dinheiro gastava-se de uma forma menos lícita... "A atual FIFA diz o que faz, e diz onde gasta o dinheiro, e está a gastá-lo no futebol", salientou Infantino, prosseguindo: "Temos maior investimento e maior impacto, mas também mais observância. Pela primeira vez, cada associação assinou um contrato individual, portanto, são 211 contratos, em que eles têm de dizer o que estão a fazer. Se um presidente diz que está a fazer um campo de futebol, tem de fazer um campo de futebol e não uma piscina em casa!".

Apesar do cenário positivista, Infantino admitiu que continuam a existir várias ameaças à volta do futebol, como a manipulação de resultados - para a qual defende uma política de "tolerância zero" - ou os casos de violência. Mas também no que respeita ao mercado de jogadores. "Temos de melhorar o sistema de transferências e tudo o que está ligado a ele. Tem de ser modernizado e reorganizado. Há muitos interesses à volta. Mas se a FIFA tem de ser mais transparente, o futebol também tem de ser e temos de olhar para o sistema de transferências. O recém-criado comité de stakeholders abordou esse tema e vai continuar a abordá-lo", realçou Infantino, abordando depois o tema da introdução de novas tecnologias no futebol. "Ao fim de, talvez, 50 anos de discussão, decidimos testar o vídeo-árbitro. Toda a gente hoje no estádio e em casa sabe em segundos se o árbitro cometeu um erro grosseiro. O único que não sabe é o árbitro. E não sabe porque não quer, porque nós o proibimos! Se o podemos ajudar, devemos fazê-lo. Se não testarmos, como saberemos?", questionou.

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