24/7/17
 
 
Tiago Mota Saraiva 20/03/2017
Tiago Mota Saraiva

opiniao@newsplex.pt

As eleições holandesas

Não acompanho o júbilo perante o anúncio dos resultados provisórios das eleições holandesas. Os resultados foram interessantes, mas não pelas qualidades que se lhes apontam.

A extrema-direita, primária e fascista, não saiu derrotada. Não só reforçou a sua votação como se estabelecerá na liderança da oposição. Entre dois partidos (PVV e FvD), obtiveram mais 7 deputados, totalizando 22. Também não encontro motivos de comemoração no facto de um partido neoliberal (VVD), que entre 2010 e 2012 esteve no governo com o apoio desta mesma extrema-direita, ser o mais votado.

Na verdade, o alegado conflito entre fascismo e neoliberalismo tem vindo a ser altamente sobrevalorizado, escondendo as alternativas fora deste novo espectro do arco do poder.

Mas os resultados eleitorais holandeses não são desinteressantes. Os três partidos do poder neoliberal (VVD, CDA e PvdA) perdem 31 deputados, ficando com 61 lugares em 150. O trambolhão eleitoral é particularmente agravado pela pasokização do PvdA, do inenarrável Presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, que perde 29 deputados, ficando apenas com 9 representantes.

Se parece ser uma possibilidade que os Verdes (GL) se juntem ao centrão, ainda que esse não tenha sido o discurso com que se apresentou ao eleitorado, as forças progressistas – SP, GL, PvdD e DENK – obtêm 36 deputados, quase dobrando a sua representação parlamentar (+15 deputados).

O que parece relevante assinalar é que o confronto eleitoral com os movimentos fascistas emergentes não será feito pelos partidos instalados no poder há décadas – que mais não fazem do que tentar equilibrar-se no poder estancando perdas e fazendo perigosas concessões ao discurso de extrema direita – mas pela radicalização das forças progressistas.
Não será por acaso que, nos EUA, várias sondagens davam uma vitória clara de Sanders sobre Trump, caso Hillary abdicasse. A transição de uma ideia de arco de poder disputado entre centro-direita e centro-esquerda, para a disputa entre fascismo e neoliberalismo, só pode adiar, e nunca derrotar, a chegada ao poder de Trumps, Le Pens ou Wilders. É na radicalização do discurso das forças progressistas que se pode construir respostas para os problemas reais e são essas respostas que oferecerão uma alternativa transformadora às camadas populares que hoje se iludem com a extrema-direita.

Escreve à segunda-feira

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